No palanque, Bolsonaro, manipula o STF como deseja e Alexandre de
Moraes lhe dá os instrumentos com seu “jurismo de punhos”, como no caso da
absurda e indescritível busca e apreensão de empresários bolsonaristas por
conversas privadas em grupos de mensagens. Ao fazer isso, o STF, dá ao presidente
o “inimigo externo”, o discurso de vítima - que ele usa com maestria, diga-se
de passagem- para empolgar seus eleitores, como fez hoje. Ao fantasiar-se de
perseguido Bolsonaro capta o imaginário popular e o usa a seu favor. As piadas
de estética machista que tanto causa horror nada mais é que
aquelas que são repetidas em milhares de locais do país. Não são aceitáveis
como conversa civilizada de um chefe de nação, mas o eleitor acaba se sentindo
identificado em muitas delas.
Por mais que parte da intelectualidade rejeite esse tipo de
ato o que importa analisar é se as manifestações mostraram um impacto além do
esperado pelos seus adversários, o que de fato aconteceu. A medida que a
eleição de aproxima há uma tendência de acirramento de ânimos, mas também de
definição do eleitor preso na bipolaridade de Lula- que não consegue se livrar
do estigma de corrupto- e Bolsonaro- que não consegue se livrar do golpismo. E
parece, pelas imagens, que jogo não está decidido como faziam crer as pesquisas
de opinião. Caso tivessem sido um fiasco o resultado enterraria pretensões do
candidato e ocuparia todas as análises. Como não foram busca-se apontar eventuais
pontos negativos do comportamento pessoal dele. A eleição, que fique claro, não
vai se definir por esses detalhes em detrimento ao impacto geral. Vamos aguardar os resultados das novas avaliações o
que irão mostrar.