2-É preciso
lembrar que ACM tem um recall alto na capital por sua excelente gestão na
Prefeitura de Salvador, mas nunca teve um mandato que levasse benefícios às
cidades do estado, ao contrário do governo estadual.
3-O “tanto faz”
foi uma escolha infeliz da campanha de ACM Neto - embora compreensível na intenção-
porque foi muito bem rebatida pelo marketing apurado da equipe de Jerônimo.
4-É preciso
lembrar que a Bahia é um estado miserável, com o pior ensino médio e básico do
país, campeã de desemprego e violência, o 17º em Competitividade. Nosso PIB nos
coloca apenas como a sétima economia do país. Além disso, somos o estado
campeão de uso do Bolsa-Família desde que foi criado. Esse perfil econômico e
populacional torna a população extremamente dependente da ação do Estado.
Assim, os benefícios do início da era PT, o trabalho continuado e regular dos
governos do Estado, estão enraizados no imaginário do cidadão baiano que criou
essa ligação com Lula ( 69% dos votos) além, até mesmo, de quem seja o candidato do partido.
5-Apesar dos problemas,
é preciso dar crédito a ideia de um bom governo que o PT construiu aos longos
dos 16 anos de mandato, o que favorece a inércia eleitoral.
6-Interessantemente,
20% dos votos de ACM Neto foram dados por eleitores de Lula, demonstrando mais
uma vez a ligação imaginária com Lula. Acima, inclusive, do governo do Estado.
7-A votação de
Otto Alencar, maior do que a do próprio Jerônimo, mostrou a capilaridade e
penetração que o Senador tem em uma história construída no carlismo e sedimentada
no petismo. A vitória era prevista, mas foi ainda maior que o esperado. Deve-se
ressaltar a expressiva votação da candidata Raíssa Soares com um milhão de
votos.
8-O efeito de
grupo, do petismo mesclado com o carlismo, mostrou-se ao longo desse período uma
estratégia vencedora criada pelos líderes petistas.
9-Durante todos
esses anos nunca houve oposição verdadeira na Bahia. O que sempre tivemos foi um
estado de convivência harmônica. Consequentemente nunca houve desgaste da administração
petista, ficando difícil há pouco mais de trinta dias pintarem o governo como
ruim. Como fica claro, atuações de curto prazo não irão resultar em fim da
hegemonia petista em nosso estado.
10-ACM Neto criou
uma sinuca de bico. Se apoia Bolsonaro corre o risco de perder os 20% dos votos
casados com Lula, que obteve, e que estarão em risco mesmo que não o faça, pelo
efeito de liderança que Jerônimo detém com o primeiro lugar. Se não apoia, não tem espaço para garimpar votos
na quantidade que precisa. Caso fique
neutro- o que não empolga ninguém- corre o risco de perder sem feder ou cheirar.
A outra opção é apoiar Bolsonaro, sem pensar em vitória ou derrota, garantindo
um espaço de projeção nacional em caso de vitória do atual presidente que lhe
permita construir uma oposição verdadeira.
Não será uma decisão fácil!