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César Oliveira

Dez fatos sobre a eleição estadual

05 de Outubro de 2022 | 03h 08
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Dez fatos sobre a eleição estadual
1-O clima de já ganhou criado pelas pesquisas delivery deixaram ACM de salto alto e o clima contaminou o esforço braçal pela vitória.

2-É preciso lembrar que ACM tem um recall alto na capital por sua excelente gestão na Prefeitura de Salvador, mas nunca teve um mandato que levasse benefícios às cidades do estado, ao contrário do governo estadual.

3-O “tanto faz” foi uma escolha infeliz da campanha de ACM Neto - embora compreensível na intenção- porque foi muito bem rebatida pelo marketing apurado da equipe de Jerônimo.

4-É preciso lembrar que a Bahia é um estado miserável, com o pior ensino médio e básico do país, campeã de desemprego e violência, o 17º em Competitividade. Nosso PIB nos coloca apenas como a sétima economia do país. Além disso, somos o estado campeão de uso do Bolsa-Família desde que foi criado. Esse perfil econômico e populacional torna a população extremamente dependente da ação do Estado. Assim, os benefícios do início da era PT, o trabalho continuado e regular dos governos do Estado, estão enraizados no imaginário do cidadão baiano que criou essa ligação com Lula ( 69% dos votos)  além, até mesmo,  de quem seja o candidato do partido.

5-Apesar dos problemas, é preciso dar crédito a ideia de um bom governo que o PT construiu aos longos dos 16 anos de mandato, o que favorece a inércia eleitoral.

6-Interessantemente, 20% dos votos de ACM Neto foram dados por eleitores de Lula, demonstrando mais uma vez a ligação imaginária com Lula. Acima, inclusive, do governo do Estado.

7-A votação de Otto Alencar, maior do que a do próprio Jerônimo, mostrou a capilaridade e penetração que o Senador tem em uma história construída no carlismo e sedimentada no petismo. A vitória era prevista, mas foi ainda maior que o esperado. Deve-se ressaltar a expressiva votação da candidata Raíssa Soares com um milhão de votos.

8-O efeito de grupo, do petismo mesclado com o carlismo, mostrou-se ao longo desse período uma estratégia vencedora criada pelos líderes petistas.

9-Durante todos esses anos nunca houve oposição verdadeira na Bahia. O que sempre tivemos foi um estado de convivência harmônica. Consequentemente nunca houve desgaste da administração petista, ficando difícil há pouco mais de trinta dias pintarem o governo como ruim. Como fica claro, atuações de curto prazo não irão resultar em fim da hegemonia petista em nosso estado.

10-ACM Neto criou uma sinuca de bico. Se apoia Bolsonaro corre o risco de perder os 20% dos votos casados com Lula, que obteve, e que estarão em risco mesmo que não o faça, pelo efeito de liderança que Jerônimo detém com o primeiro lugar.  Se não apoia, não tem espaço para garimpar votos na quantidade que precisa.  Caso fique neutro- o que não empolga ninguém- corre o risco de perder sem feder ou cheirar. A outra opção é apoiar Bolsonaro, sem pensar em vitória ou derrota, garantindo um espaço de projeção nacional em caso de vitória do atual presidente que lhe permita construir uma oposição verdadeira.  Não será uma decisão fácil!



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