As fake-news tornaram-se uma
praga dessa eleição e precisam ser combatidas fortemente, mas esse combate não
pode servir para ações que ultrapassem a garantia constitucional da liberdade
de expressão, principalmente estabelecendo a censura prévia- bruta- como fez o
controverso e autoritário ministro Alexandre de Moraes com a Jovem Pan.
Uma das ações incompreensíveis do
ministro foi a proibição que o ministro da Saúde fizesse um pronunciamento
convocando os pais para vacinarem seus filhos contra a paralisia infantil,
justamente no momento em que temos uma baixa vacinação e ressurgimento do
vírus. É de uma irresponsabilidade, de um desrespeito ao cidadão que estarrece.
Outra proibição que espanta refere-se
a censura ao ex-ministro do STF, três vezes presidente do TSE, Marco Aurélio,
que disse que Lula não foi inocentado, algo verdadeiro na compreensão do STF,
mas que não pode ser dito. Aliás, o ex-ministro disse que “os homens de bem
precisam reagir” a esta atitude.
Essa censura violenta que impede jornalistas
e veículos emitirem suas opiniões é uma violação estarrecedora. A crise se
torna ainda maior quando a ministra Carmem Lúcia declarou que a censura é “inadmissível”,
mas que, em caráter “excepcional “ela não ia cumprir a lei e aceitar o fato. O
ministro Facchin, em incrível salto triplo retórico ao negar uma liminar contra
a censura disse que a ação estava dentro de um “ arco de experimentação
regulatória” uma novidade inacreditável.
É preciso lembrar que a Constituição
garante, inclusive, o direito não apenas às manifestações de fatos, mas a todas
as opiniões, inclusive as exageradas. A parca densidade intelectual de Moraes, extremamente
criticado antes de se tornar ministro da Corte indicado por Temer, trouxe de volta
uma das piores memórias da ditadura: a censura prévia.
Combater o bom combate de reprimir
as fake-news não pode ser transformado em instrumento para violar a liberdade
de opinião da imprensa e do cidadão.