A grande surpresa não foi a
vitória de Lula, mas o tamanho do eleitorado que votou em Bolsonaro apesar de
toda oposição do sistema (mídia, artistas, parte do Judiciário, ministros do
TSE, TCU, STF) e dos devastadores erros que ele cometeu. A votação mostrou que existe um movimento
conservador maior do que o Bolsonarismo. Esse eleitorado colocou Tarcísio em
São Paulo, derrotando Haddad, e estabeleceu uma bancada de centro-direita que é
maioria pela primeira vez no Congresso.
A grande dúvida pós-eleitoral é o
que acontecerá com esse eleitorado que reconhece legalidade jurídica na vitória
de Lula, mas não reconhece legitimidade moral, visto que suas condenações foram anuladas no STF- que
não goza de boa credibilidade- por Curitiba
ser o foro inadequado, sem julgarem o mérito da corrupção apontada.
As reações iniciais sugerem que
parte do eleitorado- que flertou com o golpismo- continuará seguindo Bolsonaro e não será intimidado por
apelidos pejorativos. A dúvida é se ele sobreviverá
ou se esse eleitorado buscará algum líder de direita alternativo, como Tarcísio,
por exemplo, se tiver bom desempenho em São Paulo. Alguns apontam que Bolsonaro poderá ser
responsabilizado criminalmente em alguns dos processos que correm na justiça de
modo que impeça nova candidatura, até porque, como já vimos, alguns de nossos tribunais
sofrem de incurável relatividade jurídica.
Por outro lado, o desenho da
vitória de Lula sugere um governo que será obrigado a fazer composição com
outras forças o que evitará um governo mais radical. Ao menos, em tese.
Seja como for teremos uma complexa
equação para ser resolvida e considero que será extremamente difícil o fim da
divisão em que se encontra o país e que as dificuldades que Lula terá serão
maiores do que sua passagem anterior no poder.
O que podemos torcer é que Lula
faça um bom governo – sem os vícios do passado- que acabe por mitigar a fronteira
de confronto que rachou o Brasil.