O cidadão feirense assiste, indignado
e assustado, ao implacável crescimento da violência em Feira de Santana. Progressivamente, vimos o número de mortos por mês sair de um a cada dois dias, depois um por dia, e, agora, na última explosão de crimes,
esse número ser superado com folga.
Evidente, portanto, que o Governo
do Estado precisa ser cobrado sobre as ações tomadas para coibir a escalada
criminosa que fechou escolas, aterrorizou moradores e manteve Feira no ranking
das cidades mais violentas do Brasil, como mostra o Mapa da Violência de 2022.
A questão da violência não é só
policial. Ela passa pelas desigualdades econômicas, desemprego, falta dos
direitos básicos, educação, cultura, Justiça eficiente. A Bahia, como sabemos,
é o pior estado do Brasil em educação e o mais dependente do Bolsa Família, o
que retrata sua extrema condição de vulnerabilidade social
Outro aspecto é a impunidade. Onde
Mora a Impunidade, uma pesquisa do Instituto Sou da Paz, de 2022, mostra que é
muito baixa a taxa de esclarecimentos sobre crimes contra a vida no país.
"Calculamos que o Brasil esclarece 37% dos homicídios". Os piores
resultados foram Rio (16%) e Amapá (19%), seguidos de Bahia, Pará e Piauí, cada
um tendo esclarecido 24% dos homicídios. A média mundial é 63%. Evidente que
isso torna a Justiça ineficiente e traz a sensação de impunidade que é a mãe de
todas as violências.
A Secretaria de Segurança do Estado, em resposta a um questionamento feito em novembro de 2021, respondeu que
a PM tem 13 unidades e a Civil, dez estruturas em funcionamento. E disse que
Feira tem 2.146 policiais, o que nos dá a média de 1 policial para 288 habitantes
( 2146/620.000). A ONU recomenda 1 para cada 250 habitantes.
Em resposta à onda de violência, a Polícia fez uma série de ações, o que é muito positivo, mas que, do ponto de vista de mudança, é pouco significativo, porque pontual. É preciso, sempre, analisar Feira em sua situação geográfica de entroncamento, o que gera um trânsito de drogas, mercadorias roubadas, entre outras ações criminosas.
Feira
é um portal para o crime e isso exige tratamento diferenciado, com múltiplas e
continuadas intervenções, inclusive sociais, adequação policial, ampliação da
delegacia da Polícia Federal, para que o cidadão consiga retomar sua cidade e
não viver sitiado, como está!