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César Oliveira

Feira: cidade do medo

05 de Fevereiro de 2023 | 11h 22
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Feira: cidade do medo
Foto: Aldo Matos/Acorda Cidade

O cidadão feirense assiste, indignado e assustado, ao implacável crescimento da violência em Feira de Santana. Progressivamente, vimos o número de mortos por mês sair de um a cada dois dias, depois um por dia, e, agora, na última explosão de crimes, esse número ser superado com folga.

Evidente, portanto, que o Governo do Estado precisa ser cobrado sobre as ações tomadas para coibir a escalada criminosa que fechou escolas, aterrorizou moradores e manteve Feira no ranking das cidades mais violentas do Brasil, como mostra o Mapa da Violência de 2022.

A questão da violência não é só policial. Ela passa pelas desigualdades econômicas, desemprego, falta dos direitos básicos, educação, cultura, Justiça eficiente. A Bahia, como sabemos, é o pior estado do Brasil em educação e o mais dependente do Bolsa Família, o que retrata sua extrema condição de vulnerabilidade social

Outro aspecto é a impunidade. Onde Mora a Impunidade, uma pesquisa do Instituto Sou da Paz, de 2022, mostra que é muito baixa a taxa de esclarecimentos sobre crimes contra a vida no país. "Calculamos que o Brasil esclarece 37% dos homicídios". Os piores resultados foram Rio (16%) e Amapá (19%), seguidos de Bahia, Pará e Piauí, cada um tendo esclarecido 24% dos homicídios. A média mundial é 63%. Evidente que isso torna a Justiça ineficiente e traz a sensação de impunidade que é a mãe de todas as violências.

A Secretaria de Segurança do Estado, em resposta a um questionamento feito em novembro de 2021, respondeu que a PM tem 13 unidades e a Civil, dez estruturas em funcionamento. E disse que Feira tem 2.146 policiais, o que nos dá a média de 1 policial para 288 habitantes ( 2146/620.000). A ONU recomenda 1 para cada 250 habitantes.

Em resposta à onda de violência, a Polícia fez uma série de ações, o que é muito positivo, mas que, do ponto de vista de mudança, é pouco significativo, porque pontual. É preciso, sempre, analisar Feira em sua situação geográfica de entroncamento, o que gera um trânsito de drogas, mercadorias roubadas, entre outras ações criminosas.

Feira é um portal para o crime e isso exige tratamento diferenciado, com múltiplas e continuadas intervenções, inclusive sociais, adequação policial, ampliação da delegacia da Polícia Federal, para que o cidadão consiga retomar sua cidade e não viver sitiado, como está!

 

 

 



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