O alinhamento do governo estadual com o federal (PT) não é
novidade, mas dessa vez com a retomada do poder com Lula e um governador com
ligações bastante próximas com Feira de Santana o partido deve olhar a cidade
com uma cobiça especial tentando reverter uma longa série de derrotas
capitaneadas pelo deputado federal José Neto. Evidente que o partido deve
buscar vencer nas grandes cidades de onde tem sido alijado como Feira, Itabuna,
Ilhéus e Conquista, mas a longa invencibilidade da oposição por aqui torna o
desafio significativo. E pode se tornar uma questão de honra para o governador.
O jogo da sucessão já está sendo jogado embora as peças do
tabuleiro não estejam definidas. Feira reproduz- guardadas as devidas
proporções- um fenômeno estadual. Aqui, a imagem de José Ronaldo está
impregnada, consolidada, incorporada, ao imaginário do feirense, do mesmo modo
como a imagem de Lula está para o baiano. A prova disso é que em torno de 20%
dos votos de Lula foram casados como ACM Neto.
É natural que Ronaldo seja candidato para defender seu
legado, até porque a escolha de um outro nome é de elevadíssimo risco, como
mostrou a eleição anterior. É claro que muitos acontecimentos da política nacional
e estadual, desempenhos, podem influenciar essa decisão, mas não parece haver
no momento alguma outra alternativa a não ser que apareça algum outsider
inesperado.
Do outro lado, a grande incógnita é se José Neto será o
candidato mais uma vez- e até hoje ele não abriu mão disso- ou se o partido irá
oferecer alguma alternativa, buscar outra composição – usando o peso do
governador e do presidente-, para tentar, enfim, tirar a prefeitura do grupo
Ronaldista.
O certo é que passado o carnaval, arriadas as malas na
quarta-feira de cinzas, o jogo começará para valer. Feira torce para que os
dois lados transformem a disputa pelo poder em um canteiro de obras realizadas
e não apenas prometidas. Dessas, já estamos cheios!