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César Oliveira

Tragédias: nunca são acaso, são escolhas

20 de Fevereiro de 2023 | 09h 30
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Tragédias: nunca são acaso, são escolhas
Foto: Divulgação/Prefeitura de Ilhabela

O temporal em São Paulo arrasou o litoral do estado, destruindo as casas dos pobres e inundando condomínios de ricos, como o Acapulco, no qual Neymar, Robinho e outros milionários têm casas.

Enquanto nos bolsões de pobreza acumula-se 36 mortes e a perda do mínimo – um fogão, uma cama, uma geladeira –, nos bolsões de riqueza pululam BMW, Mercedes, Audis, alagados e submersos. Entretanto, não é por serem ricos que devem ter seu patrimônio ameaçado ou destruído. O dinheiro – em sua maioria – é legítimo. O que queremos ressaltar é a falha do poder público em regular empreendimentos e organizar o uso do solo.

Nos bolsões da pobreza, além de mortos, desabrigados, desamparados, o que se torna mais escandaloso é estarmos no estado mais rico do país como se estivéssemos no mais pobre – o Maranhão, do ex-governador Flávio Dino, costuma disputar esse lugar com afinco.

Entre estes, fica mais evidente a responsabilidade do poder público. Como mostrou o colunista Josias de Souza: "Bolsonaro passou na lâmina 94% do orçamento federal para projetos de contenção de encostas em 2023. Caiu de irrisórios R$ 53,9 milhões para insignificantes R$ 2,7 milhões. Lula subiu a R$ 156,7 milhões. Sob Bolsonaro, cortavam-se verbas da Defesa Civil e liberavam-se emendas secretas do centrão. Sob Lula, destinam-se R$ 156,7 milhões para a contenção de encostas e R$ 3 bilhões para Arthur Lira distribuir a deputados novatos".

Não é acaso. É escolha.  



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