A Bahia faz a maior festa de rua do planeta- sem comparações. É uma força musical produtiva incomparável e um clima de alegria que traz a felicidade em suor e cerveja. O arrastão da quarta-feira é um tributo a saudade e às memórias construídas durante a festa. Mas nem todos acabam o carnaval no último dia. Uma advogada de 29 anos teve sua festa e vida encerradas, segunda -feira, após sair de um Camarote e ser baleada em seu carro ao atravessar um bairro que é zona de disputa de duas facções. A fragilidade da vida se mostrou em toda sua dimensão em que a barbárie e o prazer quase estão de mãos dadas.
A situação é um retrato da violência que tomou conta da Bahia em especial na última década fazendo o estado ser sempre um dos mais violentos segundo o Mapa da Violência e emplacar algumas das cidades mais violentas do mundo em ranking recente. Grupos enfrentando a Polícia a bala, escolas sendo fechadas, insegurança incorporada ao dia a dia, é o retrato do que está sendo legado. O governo ao longo desses anos tem sido incapaz, absolutamente incapaz, de reverter esses dados, não para zerar as estatísticas, mas para oferecer sinais de controle e queda das ações criminosas. O estado foi ocupado e dominado por quadrilhas poderosas, mas até o momento não temos uma resposta na dimensão que o problema exige.
Assim, a fronteira entre a alegria e a dor permanecerão próximas como uma ameaça a todos e nem sempre esperando o fim do carnaval para romper os limites.