Como era inevitável o governo Lula começou a reonerar os combustíveis, que tiveram os impostos reduzidos por Bolsonaro. Para quem abastece – é tolice imaginar que só rico para na bomba- haverá um inevitável aumento de custos, com impacto no transporte público, nos fretes das mercadorias, nos usuários de motocicletas. A tendência natural é alguma pressão de aumento na inflação- o que nunca é saudável. Por outro lado, o aumento da arrecadação de R$28 bilhões parecerá justo se o governo tiver alguma preocupação fiscal, mas custará caro se for apenas uma forma de obter dinheiro para a farra da gastança.
A manutenção do subsídio herdada do governo anterior não se sustentava mais e nem parece socialmente justa, mas a grande dificuldade da política de combustíveis no país sempre foi encontrar o equilíbrio da margem de lucro que remunera acionistas e subsídio que barateia os custos da economia. Evidente que se o governo admite a inflação que a reoneração progressiva trará será preciso que haja controle em outras áreas para que a inflação não saia da meta prevista- uma tragédia coletiva. Na guerra entre a ala política que preferia manter tudo como está e o ministro da economia, Haddad, que defendia a reonenaração – a realidade- este venceu. O aumento no etanol menor do que o da gasolina- mais poluente- tem uma lógica de proteção ambiental e parece correto. A oposição, por sua vez, irá explorar o assunto cobrando o governo pelo sacrifício coletivo, cumprindo seu papel.
As razões técnicas podem ser discutidas, mas a verdade é que o consumidor com ou sem carro pagará mais caro pelo que consome e a dor no bolso não costuma se consolar com questões lógicas.