Ao menos 7 milhões de vidas foram
amputadas pela epidemia da Covid-19, sendo 700 mil brasileiros. Além dos que
vão carregar sequelas pelo resto da vida e morrer por conta delas- perdi uma
grande amiga escritora- e, sim, ainda será por conta da pandemia embora esses
nunca sejam contabilizados na conta do vírus.
Sem dúvida é a maior tragédia sanitária desse tempo de modernidade científica incrível. Infelizmente muitos politizaram o enfrentamento, aproveitadores vicejaram na canalhice habitual, biografias foram vendidas à indústria farmacêutica sem o menor pudor, corruptos não perdoaram sequer as verbas da compra de respiradores. Do ponto de vista estritamente técnico, nós da área de saúde, pagamos um preço elevado na convivência feroz e assustadora com o vírus- perdi um irmão médico. Tivemos de aprender a enfrentar uma doença com um comportamento não conhecido e testar experiências, procedimentos, medicamentos, em uma rede de colaboração mundial como jamais vista.
É evidente que a tese eugênica da
imunidade natural teria multiplicado esse número de mortes, mas muitos apregoam
contra a ciência com o mesmo domínio dos insetos sobre os monturos.
Agora, que está sendo decretada pela OMS o fim da forma mais visceral da pandemia é preciso que os governos financiem a volta da ciência ao balcão de pesquisa, para que daí possamos selecionar entre tudo que foi feito o que foi mais efetivo e o que não apresentou resultado benéfico. Precisamos desse memorial da medicina baseada em evidências como um manual de sobrevivência dessa pandemia.
O objetivo disso é básico: nos
preparar para a próxima e inevitável pandemia. A expansão populacional, as
mudanças ambientais, o desequilíbrio biológico, nos deixa expostos,
evidentemente. Para isso, devíamos começar a explicar como esse vírus que veio
da China- não se pode esquecer- chegou ao humano. Até hoje não foi identificado
o transmissor intermediário e a hipótese de escape laboratorial não foi rechaçada
com firmeza. Só conhecendo a origem podemos nos preparar para a prevenção.
O mundo dos vírus - com mais de 1,6 milhão de tipos e em expansão- ruge diante de nós. Precisamos estar preparados se não quisermos uma nova legião de vítimas!