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César Oliveira

Fim da Pandemia

06 de Maio de 2023 | 09h 03
Fim da Pandemia

Ao menos 7 milhões de vidas foram amputadas pela epidemia da Covid-19, sendo 700 mil brasileiros. Além dos que vão carregar sequelas pelo resto da vida e morrer por conta delas- perdi uma grande amiga escritora- e, sim, ainda será por conta da pandemia embora esses nunca sejam contabilizados na conta do vírus. 

Sem dúvida é a maior tragédia sanitária desse tempo de modernidade científica incrível. Infelizmente muitos politizaram o enfrentamento, aproveitadores vicejaram na canalhice habitual, biografias foram vendidas à indústria farmacêutica sem o menor pudor, corruptos não perdoaram sequer as verbas da compra de respiradores. Do ponto de vista estritamente técnico, nós da área de saúde, pagamos um preço elevado na convivência feroz e assustadora com o vírus- perdi um irmão médico. Tivemos de aprender a enfrentar uma doença com um comportamento não conhecido e testar experiências, procedimentos, medicamentos, em uma rede de colaboração mundial como jamais vista.

É evidente que a tese eugênica da imunidade natural teria multiplicado esse número de mortes, mas muitos apregoam contra a ciência com o mesmo domínio dos insetos sobre os monturos.

 Nós, médicos, sabemos que toda vez que um remédio é lançado existem relatos pós-comercialização,  de eventos, reações, efeitos colaterais, que não conseguiram ser medidos nos ensaios de fase 1, 2, 3. Assim, vão se atualizando as bulas, o conhecimento, para que lidemos com as reações adversas que eles apresentam. Praticamente não existe medicamento que não apresente algum efeito colateral. Da mesma forma com as vacinas. Eles acontecerão sim. O que a ciência precisa analisar é sua relação custo/benefício/ eficácia.

Agora, que está sendo decretada pela OMS o fim da forma mais visceral da pandemia é preciso que os governos financiem a volta da ciência ao balcão de pesquisa, para que daí possamos selecionar entre tudo que foi feito o que foi mais efetivo e o que não apresentou resultado benéfico. Precisamos desse memorial da medicina baseada em evidências como um manual de sobrevivência dessa pandemia.


O objetivo disso é básico: nos preparar para a próxima e inevitável pandemia. A expansão populacional, as mudanças ambientais, o desequilíbrio biológico,  nos deixa expostos, evidentemente. Para isso,  devíamos começar a explicar como esse vírus que veio da China- não se pode esquecer- chegou ao humano. Até hoje não foi identificado o transmissor intermediário e a hipótese de escape laboratorial não foi rechaçada com firmeza. Só conhecendo a origem podemos nos preparar para a prevenção.

O mundo dos vírus - com mais de 1,6 milhão de tipos e em expansão- ruge diante de nós. Precisamos estar preparados se não quisermos uma nova legião de vítimas!



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