Derrotas do Governo Federal em votações no Congresso Nacional
levaram a uma crise de articulação política, nesta quinta-feira (11). Segundo informações do jornal Folha de S.Paulo,
o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chamou ACM Neto, ex-prefeito de
Salvador e secretário-geral do União Brasil, de “grampinho”. Atualmente, o
partido, que já fez ferrenha oposição a Lula, integra a base aliada do governo,
embora afirme ser independente.
O apelido pejorativo foi dado, em meados dos anos 2000, durante
o primeiro governo Lula, por adversários políticos de ACM Neto, quando o então
senador Antônio Carlos Magalhães (1937-2007), avô do político baiano, foi
investigado por, supostamente, comandar um esquema de grampos telefônicos
ilegais no Senado Federal.
A fala de Lula ocorreu durante ato do Governo Federal ao lado
do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT). O presidente discursava sobre
o processo de escolha da candidatura do atual chefe do Executivo baiano.
Na ocasião, o petista mencionou diálogos com o senador Jaques
Wagner (PT-BA), militante histórico da sigla. Ele afirmou que, antes das
eleições, desconfiava do potencial eleitoral de Jerônimo, mas que foi
convencido por Rui Costa de que ele seria o melhor candidato. “Wagner, vai
estar difícil, a gente vai perder. Vamos ver se tem outro nome aí. O cara vai
ganhar. Eu vim para cá, Jerônimo (tinha) 3%. O ‘grampinho’, quase 80%”, disse o
presidente, que foi interrompido pelos risos da platéia.
Em sua fala, Lula também atacou membros do agronegócio de São
Paulo. “Eu quero dizer que venho aqui, nessa feira, só para fazer inveja aos ‘mau-caráter’
de São Paulo, que não deixaram meu ministro participar”, disparou o presidente,
em referência a Carlos Fávaro, que comanda a pasta da Agricultura.
Segundo Lula, o ministro teria sido “desconvidado”, após os
organizadores da feira de agronegócios de Ribeirão Preto sugerirem que ele
fosse um dia depois da participação de Jair Bolsonaro (PL). “Tem a famosa feira
lá em Ribeirão Preto, que alguns fascistas, alguns negacionistas, não quiseram
que ele fosse na feira, desconvidaram meu ministro”, afirmou.