É evidente e cada vez mais claro que
a retórica golpista vulgar não saiu apenas da alma carcomida de Bolsonaro pela
vontade de golpear a democracia, mas ela expressava a vontade de um determinado
grupo de militares de se reinstalar no poder.
Dentro desse processo ele exibiu toda sua cruel falta de empatia com familiares
de mortos pela Covid, atacou ferozmente as instituições e semeou o ambiente do
veneno necessário para a tentativa de golpe que ocorreu no dia 8/1 independente
da incompetência, leniência- ou ambas- dos ocupantes do poder que nada fizeram
para conter os terroristas.
O STF esteve na linha de frente
desse enfrentamento ao ex-presidente e foi um dos pilares para impedir que o
golpe se consumasse, embora o pouco entusiasmo dos militares em geral, em detrimento da ala bolsonarista, tenha sido
o fator de contenção decisivo.
O STF, no entanto, para fazer o
que fez promoveu o esfacelamento do ordenamento jurídico brasileiro
extrapolando todos os limites e agindo como se fosse uma corte de violação
constitucional. A personificação de Alexandre de Moraes, a falta de autocontenção
da própria corte, paira como uma ameaça sobre a liberdade, o direito de opinião-
inclusive de ser contrário aos desejos
do governo e do STF na regulação das redes sociais.
Por outro lado, o presidente Lula
ainda fazendo mais política do que administração, mais palanque que mesa de trabalho,
descumpre sua promessa de governar para todos e apaziguar o país. Continua
demonizando o agronegócio, chamando-o de fascistas, como fez com as pessoas que
participaram da Agrishow, em São Paulo;
atacando o Banco Central; conduzindo uma política externa de vai e vem de acordo
com as marés.
Enfim, o horror da era Bolsonarista
não é um salvo-conduto para as agressões de Lula, tampouco para a violação das leis
de forma desrespeitosa, como faz Alexandre de Moraes.