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César Oliveira

Hospital Universitário da Uefs: um santo remédio

22 de Maio de 2023 | 13h 04
Hospital Universitário da Uefs: um santo remédio
Foto: Divulgação

A proliferação epidêmica de cursos de Medicina traz o risco violento da má-formação, afinal, não temos tamanha disponibilidade de mão de obra com formação pedagógica para ensinar – não basta ser médico.

A formação do médico é um processo caro, extenso – o curso tem o dobro de horas das graduações habituais – e exige um intenso treinamento, para que o profissional esteja qualificado para lidar com um elemento único, que é a vida humana.

Segundo estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS), cinco pessoas morrem, por minuto, em todo mundo, por erro médico. No Brasil, conforme pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), seriam quase 55 mil mortes por ano. Isto sem falarmos das sequelas.

Esses dados tendem a ser maiores, caso a formação seja flexibilizada e a expansão – necessária, sem dúvidas – aconteça sem mecanismos regulatórios. Entre elas, a falta de dimensionamento entre vagas e capacidade de inserção. 

Para treinarmos bem os alunos, é fundamental que tenhamos espaços de formação à disposição, o que inclui rede básica, unidades especializadas e estrutura hospitalar.

Embora tenhamos avançado no deslocamento e inserção do treinamento de todas as áreas da saúde na comunidade, desde as séries iniciais, não tivemos igual expansão na rede hospitalar, obrigando os internos a viver um verdadeiro safári, em algumas faculdades do país, em busca de vagas, boa parte delas sem preceptoria ou preceptoria parcial e improvisada.

Não temos determinação de rol de procedimentos, número de repetições, desempenho nas atividades. A tendência é de agravamento desse déficit e competição canibal por vagas. E sequer estou falando das questões éticas com o paciente como parte ativa da formação profissional em saúde.

Os cursos de saúde da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) sempre tiveram o Hospital Geral Clériston Andrade (HGCA) como unidade de referência. O fato de termos implantado programas de Residência Médica, desde 1992, contribuiu para que um ambiente acadêmico permeasse o hospital.

Ao criarmos o Curso de Medicina, ele se tornou um parceiro natural e isso ajudou a qualificar o desempenho dos alunos. Acho, no entanto, que precisamos avançar nesse processo de ensino-aprendizagem.

Quando encerrei a Coordenação do Curso, em 2010, após formar a primeira turma, deixamos um projeto de ambulatório (concretizado em 2022) e a sinalização de um Hospital Universitário. Desde então, escrevi vários artigos alertando para sua importância.

Um Hospital Universitário serviria para atender a população da região em que a Uefs está instalada e garantiria um salto de qualidade incomparável para a formação da mão de obra em saúde, um setor que se apresenta como demanda vital para o futuro.

É sempre diferente a dimensão do ensino quando temos um hospital vocacionado para esse fim. Ele permitiria, inclusive, a ampliação de vagas em uma universidade pública. Como sempre digo aos alunos, “precisamos de médicos que sejam maximamente eficientes e minimamente invasivos à integridade física, econômica e afetiva dos pacientes”.

Por isso, é fundamental aproveitarmos a janela de oportunidade que é ter um Governo do Estado com ligações locais, a fim de que esse avanço seja concretizado.



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