É compreensível que países mantenham relações comerciais com
ditaduras – o maior parceiro comercial do Brasil é a China- mas o entusiasmo e defesa
com que Lula recebeu o ditador Nicolas Maduro, da Venezuela, foi chocante e lamentável. O mesmo líder que se recusa a cumprimentar o presidente da Ucrânia que luta contra
um invasor condenado por crimes de guerra defende a ditadura Venezuela em que a
ONU investigou 223 casos de violência e apontou execuções extrajudiciais e tortura.
"Nossas investigações e análises mostram que o Estado
venezuelano conta com os serviços de inteligência e seus agentes para reprimir
a dissidência no país. Ao fazer isso, graves crimes e violações dos direitos
humanos estão sendo cometidos, incluindo atos de tortura e violência sexual.
Essas práticas devem parar imediatamente, e os responsáveis devem ser
investigados e processados de acordo com a lei.", declarou no final do ano
passado Marta Valiñas, chefe de uma missão especial da ONU para averiguar
crimes contra a humanidade.
A ditadura já fez com que 7 milhões de venezuelanos se
tornassem refugiados. 96,2% da população vive na pobreza e 79,3% estão em
situação extrema, segundo a Pesquisa Nacional de Condições de Vida (Encovi)
2019-2020. A maior crise de refugiados da história da América Latina. Talvez,
Lula e seu partido finjam não conhecer a história da juíza María Lourdes Afiuni que foi estuprada, torturada, sofreu abortos espontâneos e teve o útero retirado após ficar nas prisões da Venezuela. Um
dos muitos casos comprovados de violência da narcoditadura daquele país.
“Se eu quiser vencer uma batalha, eu preciso construir uma
narrativa para destruir o meu potencial inimigo. Você sabe a narrativa que se
construiu contra a Venezuela, de antidemocracia e do autoritarismo, disse Lula.
Para Lula, os cadáveres das vítimas, o exílio, a fome, prostituição, a pobreza,
são apenas narrativas. A miséria moral é nossa.