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César Oliveira

A dilacerada geração que não estuda, nem trabalha

10 de Junho de 2023 | 11h 28
A dilacerada geração que não estuda, nem trabalha

Um país pode ser analisado de muitos ângulos e pontos de vista, mas é um consenso que a educação é um ponto fundamental, especialmente porque temos um mundo que avança rapidamente. As diferenças entre gerações estão sendo encurtadas e as demandas para conseguir emprego e renda exigem qualificação e direcionamento ao mercado de trabalho. A educação – claustrofóbica, dogmática, engessada- não acompanha o mercado, reduz produtividade e retarda o desenvolvimento do país.

Evidente que se olharmos para 1950 em que 50,6% dos jovens de mais de 15 anos eram analfabetos e para esse momento em que apenas 5,6% ainda é analfabeto consideraremos que houve um avanço. O problema, no entanto, é que diversas outras pesquisas mostram que o analfabetismo funcional atinge quase metade dos estudantes de nível superior. Ou seja, ensinamos muito mal.

Outro dado visceral e preocupante é a recente Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua – Educação 2022, divulgada há dias pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que mostrou 9,8 milhões de pessoas na faixa de 15 aos 29 anos que não estudam, nem trabalham.  Dos 7,1 milhões de jovens de 14 a 24 anos que não estudam nem trabalham, 60% são mulheres, a maioria com filhos pequenos; e 68% são pretos ou pardos.

Além do drama da gravidez precoce, esses números são avassaladores economicamente, escandalosos educacionalmente, e atestam o fracasso monumental de nossas políticas públicas, o mal que a barganha política e a corrupção que desvia recursos, causam ao país e a essa geração de jovens que se perde na falta de perspectivas.

Governos precisam entregar mais do que promessas!


 



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