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César Oliveira

A vida deturpada e os nossos filhos

18 de Junho de 2023 | 18h 02
A vida deturpada e os nossos filhos
Estamos arrebentando nossos filhos- e somos todos responsáveis.
O mundo não para de modificar-se e a vida vai se transformando como um rolo compressor que atropela exatamente os mais frágeis, aqueles a quem a existência tem muito a cobrar. O progresso material indiscutível- ainda que haja tantos bolsões de pobreza- a ciência, as vacinas, a modernização estrutural, tem produzido resultados incríveis na expectativa de vida e avanços sociais.
Esses avanços, no entanto, têm sido acompanhados de profunda mudança comportamental na modelagem familiar, mediada por uma a comunicação opressiva, banal, comparativa, excludente, ilusória. A intensificação da individualidade, a cobiça do sucesso pessoal como compensação de carências fundamentais, a destruição da autoridade familiar e escolar no processo de formação, tem produzido gerações de jovens cada vez mais fragilizados, sem resiliência, sem profundidade, sem formação cultural e humana. São jovens que nunca “ comeram o amargor” como disse o ditador chinês atual. A informação superficial, banal, inútil, que produz disrupção sem legar nada, funciona como um mecanismo de superficialização do pensamento e barreira à construção de um humano estruturado.
Todo esse arcabouço tem cobrado um preço violento dos jovens. É verdadeiramente impressionante o volume de adolescentes e adultos jovens com distúrbios cognitivos, sem referências, que dependem de medicamentos para dormir, para se manterem, ou de suporte psicológico ou psiquiátrico, mesmo dispondo de recursos financeiros que supostamente garantiriam o bem estar.
A pressão social está vindo de fora para dentro como uma avalanche incontrolável. O desesperador é que frequentemente a aplaudimos em nome de uma suposta modernidade, liberdade, de um comportamento de bando, anódino, insipido e manipulado por um mercado que vende comportamento e suas ambições e lucros de forma subliminar ou nem tão subliminar.
São muitos fatores e muitas variáveis que não vou abordar aqui para evitar ser mais longo, mas assisto isso cotidianamente nas famílias que me arrodeiam, no consultório, nos meus alunos.
É nítido, claro, óbvio, que o modelo de sociedade que estamos vivendo fracassou em proteger as gerações que vem depois de nós. Precisamos mudar.
Somos todos responsáveis- e estamos arrebentando nossos filhos!


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