Reagan, ex-presidente, dos EUA, dizia que a liberdade estava sempre a uma geração da
extinção. A liberdade não é uma dádiva divina. É um exercício cotidiano de
vigilância, resistência, sacrifício, pois, só nela é possível o exercício pleno
do potencial humano. Nenhuma outra forma de existência é digna ou merecedora de
respeito.
A opressão não se faz só pelas armas e dominação violenta.
Atualmente, ela assume formas mais sutis, imperceptíveis, de dominação, que podemos chamar de
despotismo em nuvem ou imaterial. Não há, na maioria das vezes,
um agente impositor definido contra o qual se possa pegar em lanças e combater
o moinho, mas mecanismos subliminares que tentam te impor padrões de consumo,
comportamento, gostos, modelos, opiniões, e valores. E utilizam como elemento
cerceador, não a arma tradicional, mas outras ações, “ armas metafóricas”, mas
nem por isso menos violenta ou letal, como a exclusão, a segregação, a não
inclusão, a rotulação com algum epíteto que cause constrangimento e desconforto
moral.
Aliado a isso, todos os elementos, estruturas, núcleos,
conceitos, ritos, valores, que funcionem como forças de resistência, devem ser
destruídos, dessacralizados, ou relativizados em sua importância.
A origem podem ser governos, grupos de pressão, minorias,
empresas-nação, fundos de capital, produtores e gestores da revolução da
comunicação, ou até mais difusas, em certas situações, como flash-mobs sem
origem convocatória, gerados por algum fato que atinja um senso comum
pré-formado. Frequentemente esses agentes tem
interfaces comuns, que convergem para o mesmo interesse de
manipulação.
É certo que nunca tivemos tanta liberdade, tanta
possibilidade de expressão plena da liberdade, mas ao mesmo tempo ela nunca esteve tão ameaçada, seja pela
multiplicidade de agentes limitadores dessa liberdade -que vai do
indivíduo-censor à sociedade-censora- e dos
mecanismos disponíveis para esse objetivo.
A nossa não percepção do controle, faz com que a capacidade de reação seja
reduzida em sua intensidade e persistência, é o maior risco que corremos.
A liberdade não é um
território estranho, ou inóspito. Ao
contrário, é nossa moradia essencial. E não é um bem imperecível, mas, sim, uma
condição sempre ameaçada de extinção. Não há liberdade, sem que se lute por
ela. Inclusive, por aquela, que você nem percebe que perdeu.