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César Oliveira

Os rifles do crime não empunham bandeiras brancas

10 de Agosto de 2023 | 07h 42
Os rifles do crime não empunham bandeiras brancas

Em um país em que há mais de 50.000 mortes violentas ao ano não se resolve a violência com enfrentamento ao crime. É preciso existir uma guerra contra o crime. É necessário  que a população entenda que a inexistência de uma política de segurança nacional ao longo das últimas décadas – em parte por omissão, em parte por conveniência, em parte por mediocridade administrativa- levou à expansão descontrolada das organizações criminosas que hoje dominam o país. A relativização criminal, a ineficiência da aplicação da lei- afinal, temos mais de 400.000 mandados de prisão sem serem cumpridos e  taxa de resolução de homicídios de apenas 37%- construíram a atual situação que margeia um narcoestado.

Essa expansão criminosa é visível- a Bahia é o estado mais violento do país, por décadas- e a população vive submetida a essa condição de pânico e horror. A violência tem custo para o sistema de saúde, Previdência, para os negócios,  para a educação ( mais de 600 escolas fecharam ano passado  por medo da violência). Enquanto toleramos sem protesto o desmando existente o crime vai infiltrando-se na Justiça, nas Polícias, na mídia,  na política- e há muitos eleitos ligados ao crime em diversas instâncias.  

A tudo isso, às balas perdidas, aos familiares vítimas, assistimos como se a dor e a perda fossem  contribuições obrigatórias da cidadania. Não são. Precisamos de uma política nacional de segurança que realmente enfrente as poderosas organizações, que seja capaz de oferecer agilidade e resolutividade no combate ao crime, que policie, de verdade, o tráfico de drogas e de armas na fronteira, guiado por um Ministério da Justiça equilibrado, técnico,  e não de forma militante  e inescrupulosa como o atual.

Por isso, não esperem que esse duro, feroz, enfrentamento ocorra com acenos de lenços brancos. Os rifles do crime não empunham bandeiras brancas e sim balas mortíferas que liquidam policiais a 50 metros ou mulheres policiais pelas costas. Isso não quer dizer que devemos tolerar abusos, que o Ministério Público e Ouvidorias não devem acompanhar e afastar a banda podre da Polícia.  Sim, devem, afinal, é isso que nos separa do crime, mas não podemos nos deixar ser instrumentalizados por interesses políticos, por discursos manipuladores, que tanto interessam aos criminosos feito por gente que habita gabinetes refrigerados da mídia e da política.

Encerro: o governo federal precisa trabalhar e apresentar ao país uma proposta de política de segurança que torne o estado legal mais poderoso que o estado criminal.  Ou seremos, cada vez mais, apenas famílias chorosas sobre seus mortos e reféns do medo.



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