Em um país em que há mais de 50.000 mortes violentas ao ano não
se resolve a violência com enfrentamento ao crime. É preciso existir uma guerra
contra o crime. É necessário que a população
entenda que a inexistência de uma política de segurança nacional ao longo das
últimas décadas – em parte por omissão, em parte por conveniência, em parte por
mediocridade administrativa- levou à expansão descontrolada das organizações
criminosas que hoje dominam o país. A relativização criminal, a ineficiência da
aplicação da lei- afinal, temos mais de 400.000 mandados de prisão sem serem
cumpridos e taxa de resolução de homicídios
de apenas 37%- construíram a atual situação que margeia um narcoestado.
Essa expansão criminosa é visível- a Bahia é o estado mais
violento do país, por décadas- e a população vive submetida a essa condição de pânico
e horror. A violência tem custo para o sistema de saúde, Previdência, para os
negócios, para a educação ( mais de 600
escolas fecharam ano passado por medo da
violência). Enquanto toleramos sem protesto o desmando existente o crime vai
infiltrando-se na Justiça, nas Polícias, na mídia, na política- e há muitos eleitos ligados ao
crime em diversas instâncias.
A tudo isso, às balas perdidas, aos familiares vítimas, assistimos
como se a dor e a perda fossem
contribuições obrigatórias da cidadania. Não são. Precisamos de uma
política nacional de segurança que realmente enfrente as poderosas
organizações, que seja capaz de oferecer agilidade e resolutividade no combate
ao crime, que policie, de verdade, o tráfico de drogas e de armas na fronteira,
guiado por um Ministério da Justiça equilibrado, técnico, e não de forma militante e inescrupulosa como o atual.
Por isso, não esperem que esse duro, feroz, enfrentamento ocorra
com acenos de lenços brancos. Os rifles do crime não empunham bandeiras brancas
e sim balas mortíferas que liquidam policiais a 50 metros ou mulheres policiais
pelas costas. Isso não quer dizer que devemos tolerar abusos, que o Ministério Público
e Ouvidorias não devem acompanhar e afastar a banda podre da Polícia. Sim, devem, afinal, é isso que nos separa do
crime, mas não podemos nos deixar ser instrumentalizados por interesses
políticos, por discursos manipuladores, que tanto interessam aos criminosos feito
por gente que habita gabinetes refrigerados da mídia e da política.
Encerro: o governo federal precisa trabalhar e apresentar ao
país uma proposta de política de segurança que torne o estado legal mais
poderoso que o estado criminal. Ou seremos,
cada vez mais, apenas famílias chorosas sobre seus mortos e reféns do medo.