O país vive um momento de esfacelamento institucional, inclusive, no Supremo Tribunal Federal, visto cada vez como um elemento político em que as decisões submetem o direito aos interesses de quem está alinhado no poder. A quebra da confiança na independência do STF e o aumento das suspeitas à sua possível sujeição ao poder é um atestado de que a democracia foi violada ou está sob elevado risco de um projeto de poder totalitário.
O acordo de leniência da
Odebrecht, ao contrário do que disse o ministro Dias Toffoli, foi celebrado
rigorosamente dentro da lei, com provas enviadas da Suiça através do MP,
fechado em um hotel cinco estrelas sem nenhum sinal de tortura e sob análise da
PF e do próprio Supremo.
A decisão que o ministro Toffoli
– aquele que perdeu dois concursos para juiz e foi citado na Lava-jato- nomeado
por Lula acaba de tomar monocraticamente é um acinte, uma vergonha, uma ofensa
institucional e um tapa violento na cara do brasileiro. É preciso lembrar que a
Odebrecht emitiu, inclusive, uma nota em que pede desculpas por ter errado,
contrariando o hiperbólico e deprimente voto do ministro.
Toffoli vota como um covarde que
apavorado diante de Lula que voltou ao cargo de presidente com força
avassaladora teme que ele não esqueça que foi Toffoli que o impediu de ir ao
enterro do irmão quando estava preso. Assim para pedir perdão postou-se de
joelhos diante de Lula com esse voto que não passa de uma aberração, de demonstração que ele não é confiável para qualquer
julgamento desse tipo.
A destruição que Toffoli produz
no combate a corrupção é arrasadora, violenta, desrespeitosa. A reação na
imprensa- mesmo os aliados de ocasião- mostra que até parte dos alinhados
reconhece que o voto do ministro é apenas um chute no cachorro morto da moral,
da ética, da lei como instrumento de combate ao crime de corrupção, da ordem
jurídica.
Toffoli, escreve errado por
linhas tortas. E diante dessa capitulação a Sociedade precisa reagir para não
ser novamente dizimada pelos ladrões de colarinho branco. E empreiteiras
inocentadas pelo “ amigo do amigo de meu pai” .