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César Oliveira

A execução dos médicos no Rio de Janeiro não foi um acaso

07 de Outubro de 2023 | 08h 55
A execução dos médicos no Rio de Janeiro não foi um acaso

Existem fatos que se tornam simbólicos de um tempo: o último Baile da Ilha fiscal, o crash da Bolsa de NY em 1929, a garota queimada com napalm na guerra do Vietnã. Esta semana, no Rio de Janeiro, tivemos um acontecimento que demonstra de forma visceral, cruel, dolorosa, imperdoável, a completa falência do Estado e o sistema de barbárie a que estamos submetidos.
Quatro médicos que tinham ido ao Rio para um Congresso foram baleados por engano em um quiosque na Barra da Tijuca. Os assassinos confundiram um dos profissionais com o filho de um miliciano e atiraram em todos. Três morreram. Um escapou apesar dos 14 tiros que levou.
Não, a barbárie não é somente essa tragédia. No presídio de Bangu os líderes do crime organizado fizeram uma videoconferência ( sim, dentro do presídio) e determinaram que os atiradores deveriam ser executados. Os criminosos não veriam o por do sol seguinte. Foram mortos e seus corpos expostos, evitando que a Polícia iniciasse uma caçada que prejudicaria os negócios.
Não, isso não foi um acaso, uma fatalidade, um dia de azar. Não se chega a isso sem toda uma longa gênese anterior- nem às execuções, nem ao ágil tribunal do crime. Esses acontecimentos demonstram a progressiva, continuada, sistematica, falência da Justiça, do sistema policial, e a omissão de uma sociedade cúmplice, permissiva, que finge não ter responsabilidade com esse processo de total destruição do Estado. É preciso lembrar que o estado paralelo é uma ameaça real à democracia e precisa ser visto como tal, inclusive por sua infiltração em diversas instituições.

A ausência, por décadas, de uma política de segurança pública, ordenada, que controle fronteiras, o tráfico de armas, que avançe firmemente contra o dinheiro clandestino das grandes organizações, e que seja amparada por uma Justiça ágil, firme, que represente um elemento inibidor ao crime, resultou na atual situação, com 50.000 mortes violentas/ano e que nos deixa à beira da anarquia. A proposta feita às pressas pelo Ministério da Justiça chega a ser rísivel, não passando de uma bravata midíatica. É preciso projeto e não mera resposta pontual e limitada.
Os médicos são as vítimas, os executores são os criminosos, o Estado é falido, e toda a sociedade é avalista desse violento modelo de fim do mundo!


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