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César Oliveira

A guerra do fim do mundo

12 de Outubro de 2023 | 18h 11
A guerra do fim do mundo

O Hamas é um grupo terrorista, ultraradical, que oprime e violenta a população civil da Palestina. O Hamas nunca teve como objetivo construir um acordo de paz entre os países, mas cumprir o que está em seu Estatuto: destruir Israel a qualquer preço. Apoiado pelo Irã ele assumiu em vídeo que enganou a segurança de Israel fingindo não estar preparando nenhum ataque, embora tenha passado dois anos fazendo isso. O porta-voz afirmou também que nenhuma das facções do grupo sabia o horário do ataque. Ele diz, com clareza, que Israel havia subestimado o grupo e cometido falhas em sua defesa que permitiram o massacre.

A invasão homicida e a carnificina produzida contra civis  é uma das bárbaries de nosso século e não será esquecida. Não se pode usar "mas", relativizar, questionar a ação terrorista. Mesmo os que cobram que Israel seja acusado de fazer terrorismo de estado não podem compactuar, reduzir, ou negar,  o que os assassinos fizeram. Não há moral em quem faz esse tipo de validação. 

Também não implica em antissemitismo a discordância com o governo extremista, populista,  incompetente,  de Benjamin Netanyahu e suas coligações em busca de poder em que escolheu gente mais por afindiade do que competência para gerir o sistema de segurança de Israel. Isso, ao mesmo tempo,  em que dividia a nação, atacava e tentava destruir as instituições da democracia israelense.  Enquanto isso , seu governo produzia uma política desenfreada de expansão e ocupação, selvagem, sem respeitar e sem buscar qualquer negociação com os palestinos. As duas escolhas de " Bibi" são as responsáveis, diretamente, pelos resultados que o Hamas obteve no ataque. 

Evidente que há muito mais interesses em jogo do que a disputa local, inclusive o boicote às conversas de paz entre Israel e Arábia Saudita, mas o lado mais evidente é o que está sendo exibido em carne, selvageria, vidas, sofrimento.

Israel tem o direito de se defender, mas não tem o direito de atacar civis, em retaliação, o que é muito diferente de caçar  seu inimigo. O corte de água, luz, remédios, não atinge os terroristas, mas a população civil que não tem culpa e cuja maioria não apoia os terroristas. Certamente, inclusive, os 18 mil palestinos que trabalham diariamente em Israel. 

É preciso criar corredores humanitários, libertar reféns, tentar manter a população civil o mais protegida possível da guerra embora saibamos que o Hamas constuma usá-los como escudos humanos. 

A causa palestina é justa, qualquer democrata reconhece isso; o direito de Israel se defender é também, reconhecido. È preciso, no entanto, que os autores - Hamas e Netanyahu- sejam colocados fora do poder para que se possa voltar a buscar a paz na região com a construção dos dois estados. Essa guerra liquidou um mundo e ele não existirá mais. 



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