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César Oliveira

Os inimigos da liberdade estão sempre de prontidão

19 de Outubro de 2023 | 22h 24
Os inimigos da liberdade estão sempre de prontidão

No longo caminho da civilização até a liberdade individual, o Estado de Direito, democracia, direito à propriedade, liberdade de opinião, voto universal, foram conquistas que se tornaram o grande legado da trajetória. Construídas com suor, sangue, cabeças – e alguns belos poemas.

A liberdade – além do tesão eterno – é a mais cativa das ambições humanas. Sartre dizia que estamos condenados a ser livres. É destino, mas toda escolha é condicionada a limites. A grande busca é aproximar a liberdade vivida da liberdade desejada. Nós somos o limiar de nossas concessões.

Hobbes afirmou que a liberdade natural, ilimitada, foi trocada pela liberdade civil, ao criarmos o Estado e esse determinar os limites. Locke rebateu: “cedendo seus direitos ao Estado, os homens quiseram instituir um órgão que lhes garantisse paz, prosperidade e justiça. Se o Estado se desvia de sua finalidade, se falha em relação aos seus objetivos, deve ser dissolvido, para que outro se organize”.

Nos dias atuais, a liberdade deveria ser imperecível – como a servidão moral, a calça saruel e o ômega-3 –, mas seu usufruto está sob ameaça. Muitos desejam o Estado Leviatã, regulador, o que serve aos instintos humanos mais primitivos de dominação.

As ameaças deixaram as armas e passaram a ocupar, sutilmente, o discurso, ideias, contaminando os espíritos, infiltrando-se lentamente, para diluir valores referenciais, históricos, institucionais, estruturas familiares, com objetivo de fortalecer o Estado onipotente – ideológico e identitário.

Além das ideologias que ocupam mentes e corações nas universidades, mídia, maioria dos formadores de opinião, temos interesses das empresas-nação e grupos de pressão, que manipulam os discursos ou fazem cancelamentos virtuais, para estabelecer limites de ação, ou fala, a quem contraria seus interesses.

Aos poucos, estamos sendo encarcerados, dominados em nossa linguagem – o princípio de toda dominação é a dominação da palavra – e, muitas vezes, com a concordância do dominado, que acreditando estar sob princípios razoáveis, cede ao contratante.  Como bem disse Manon Roland, antes de ser guilhotinada: “oh, Liberdade, quantos crimes cometem-se em teu nome”.

Os inimigos da liberdade estão sempre de prontidão, ávidos para dilapidarem a condição essencial de nossa existência, o que exige do indivíduo uma permanente capacidade de identificar e reagir a essas forças opressoras, para se manter livre. E gritar sem medo o nosso samba-enredo: “Liberdade, liberdade! Abre as asas sobre nós”!



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