É preciso ser objetivo sobre o complexo conflito entre Israel e Hamas, pois os interesses de cada lado levam a uma extrema reação emocional sobre o tema.
Devemos deixar claro que o Hamas age como um grupo
terrorista, apoiado pelo Irã( como revelou seu porta-voz), que persegue
homossexuais e oprime mulheres. Sua luta não é pela causa Palestina, mas para
aniquilar Israel. Com este propósito usa civis palestinos como escudo, cava túneis
sob hospitais e não hesita matar quem se opõe. A barbárie da execução de civis
inocentes, a decapitação de uma DJ, estupro de mulheres e tomada de 240 reféns
não deixa margem a justificativas veladas. O Hamas atacou especialmente com
objetivo de evitar o promissor acordo de paz que Israel estava para assinar com
a Arábia Saudita e que representava uma ameaça ao domínio do Irã na região.
Apesar de eleito em 2006, o Hamas, mantém os palestinos como reféns de seus
objetivos.
A extrema direita representada pelo poder de Netanyahu, em Israel,
vem adotando uma agressiva política de assentamentos ilegais e opressão na
Palestina. “ Bibi” , como é conhecido é o responsável, em última instância, por
toda falha de Israel em se defender. Ao tentar violar a democracia do país retirando
o poder da Suprema Corte ele dividiu a nação em protestos e Israel passou a ter
um inimigo externo e um inimigo interno, o que, inevitavelmente, fragilizou as
defesas do país. A sua arrogância e ambição estão na assinatura de morte de
cada vítima de seu povo.
Israel tem todo direito de defender-se de um inimigo selvagem
que não deseja negociar- e este marionete iraniano precisa ser eliminado- mas, exterminar o país e que afirmou que faria o
mesmo ataque “ seis, sete vezes” se necessário. É preciso, no entanto, não
achar que a “ ira justa” de Israel lhe dá o direito de matar civis
indiscriminadamente, sem criar corredores humanitários seguros, buscar
garantias aos civis, permitir assistência à saúde. Até a guerra tem regras definidas nas
organizações internacionais. Uma criança israelense não vale mais, nem menos,
do que qualquer criança palestina. Diversos países do mundo ocidental,
inclusive os EUA, já estão exigindo mudança na postura do governo de Netanyahu,
ainda que a caçada ao Hamas seja mantida-como deve ser.
Por último, é preciso dizer que o Hamas não representa o
povo palestino, assim como o governo de extrema-direita no poder não representa
o povo de Israel. Atualmente 20% da população de Israel é árabe com plenos
direitos civis inclusive voto. Aos menos 18.000 palestinos trabalham
diariamente em Israel, mostrando que é possível outras escolhas. Criticar
Israel não é antisionismo ou antissemitismo, assim como criticar o Hamas não é
ser contra o povo palestino. Claro, também, que não podemos tolerar a
perseguição a judeus em aeroporto na Rússia ou casas marcadas com a estrela de
Davi na Europa como está acontecendo. Isso é apenas uma outra face da miséria humana
que infelizmente não adormeceu. E que não deve ser tolerado.
É preciso que os acordos de Oslo sejam respeitados, que as
nações do mundo pressionem pela devolução dos reféns, e a solução política de
dois estados seja retomada.