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César Oliveira

A miséria moral do antissemitismo

12 de Novembro de 2023 | 09h 43
A miséria moral do antissemitismo

A humanidade, ao longo de existência, tem um extenso saldo de barbáries, a exemplo do genocídio Armênio( Turquia),  o Holodomor ( comunismo de Stalin,  na Ucrânia, com 7 milhões de mortos). Nada, entretanto, é similar nos tempos mais modernos ao Holocausto contra os judeus. Já tive oportunidade visitar um campo de concentração ( o único dentro da Alemanha) e o Museu do Holocausto, em Berlim. Na visita ao Campo ainda podemos sentir calor no lugar dos fornos crematórios. No Museu, podemos  ler  as desesperadas correspondências de famílias e a lista daquelas que foram extintas.

Recomendo a leitura de Em Busca de Sentido, de Victor Frankl, criador da logoterapia e sobrevivente de Auschwitz,  para quem quiser entender o que era estar na condição que ele viveu e as pequenas misérias pela sobrevivência.

Os judeus são um povo nativo da região do Levante, especificamente da Palestina.  Assim, Israel,  recebeu um estado da ONU e construiu uma verdadeira democracia- a única- no Oriente Médio, um sinal permanente de ofensa e liberdade para ditaduras que matam gays e apedrejam mulheres. Já os Palestinos ainda não conseguiram avançar, especialmente porque estão dominados pelo grupo terrorista Hamas,  treinado pelo Irã, e que usa o povo palestino como escudo humano, construindo esconderijos sob hospitais, como tem mostrado fontes independentes. Cabe ressaltar que 20% da população de Israel já é composta por árabes.

Disto isto, fica claro que o Hamas não é o povo palestino e, sequer, a causa palestina, embora o estado de miséria e sofrimento desse povo acabe facilitando o recrutamento de terroristas.

Do mesmo modo, o governo extremista de Netanyahu- o pior líder de todos os tempos entre os judeus- levou a divisão do país criando um inimigo interno e desfocando o estado da defesa de seus inimigos externos. Ao mesmo tempo, ele conduziu uma política expansionista de assentamento ilegais na Cisjordânia, desrespeitando acordos existentes.  Foi assim- e com informações de dentro- que o Hamas produziu o maior atentado contra os judeus, desde o Holocausto.  Não custa lembrar, também, que Netanyahu permitiu que o Catar financiasse o Hamas com U$1,5 bilhão de dólares. Por fim, a divisão interna deixa claro, no entanto, que o povo judeu não é o governo de Israel.

Não se pode fazer nenhuma concessão – repito, nenhuma- na condenação ao Hamas, que precisa ser extinto, mas não se pode negar que em cada morte desse atentado não haja a assinatura de Netanyahu. A sua “ ira justa”- e que já enfrenta  oposição dos EUA e da França, apesar do apoio- e necessidade de demonstrar força aos cada vez mais poderosos inimigos, não dão autorização a Netanyahu para usar a situação na construção de sua salvação política- em verdade o povo judeu deveria considerá-lo um traidor, pois, preferiu tentar suprimir a Suprema Corte a cuidar da defesa de Israel, colocando o país em perigo.

Uma criança palestina vale tanto quanto uma criança judia e o restante das nações do mundo precisam agir de forma imediata pressionando pela criação dos dois estados- sem o Hamas- na região.

O povo de Israel, no entanto, precisa fazer sua parte afastando Netanyahu do poder da forma mais firme, possível. A manutenção da atual condição está levando a uma onda de renascimento do antissemitismo em todo mundo- judeus já foram agredidos na Austrália e Rússia- que não se justifica apenas pela situação atual. Ela mostra que há uma chaga, um substrato do Holocausto, incorporado ao imaginário de muitos. A crítica a Israel é legítima, o antissemitismo é apenas a exibição de uma miséria moral inaceitável. 



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