Tribuna Feirense

  • Facebook
  • Twiiter
  • (75) 9707-1234
  • Feira de Santana, sexta, 19 de junho de 2026

César Oliveira

Queriam golpe sim, mas isso não pode autorizar o vale-tudo

07 de Janeiro de 2024 | 11h 32
Queriam golpe sim, mas isso não pode autorizar o vale-tudo

Não cabe mais nenhuma dúvida que o sonho da noite de verão do governo passado era que a “balbúrdia” de 8/1 terminasse em um golpe militar. Sob o ato físico das invasões houve uma anterior  “ sensibilização conjuntural”  que teve em Bolsonaro seu grande líder  retórico- e mais alguns ministros, incluindo os casernosos- com falas de ódio contra o Supremo,  ataques às urnas eletrônicas e ao processo eleitoral,  sedição de militares e  polícias.  Um sinal inequívoco foi a tentativa de explosão de um caminhão com combustível no aeroporto de Brasília. Já vimos, no passado, com  um Puma no Riocentro e a ideia de explodir um gasoduto que resultou na expulsão de um capitão do Exército.

Além das ações diretas, houveram muitas vivandeiras que escolherem a omissão , mais um festival de incompetência- ou conveniência- como o do General Gonçalves Dias, do GSI, que havia sido informado sobre a chegada de vários ônibus ao DF e nada fez , o que resultou em sua demissão posterior, do governo Lula.

Aliás, como disse o ex-ministro, do STF,  Marco Aurélio:Foi um acontecimento extravagante, a partir da falha do Estado.” O poder falhou ( federal e estadual).

Houve sim, a criação de um infame ambiente de golpe, embora o plano tenha falhado em vários pontos- de data a cooptação das Forças Armadas. Como já se sabe, em julho de 2022, uma reunião entre os chefes da pasta de Defesa do Brasil e dos EUA sinalizou aos militares brasileiros  que eles não teriam o respaldo dos EUA,  caso optassem pela aventura golpista. Outras visitas foram feitas, Senadores Americanos se manifestaram, além da OTAN, entre muitos outros, que acabaram consolidando a informação de que o golpe teria um preço muito caro internacionalmente. O resultado pode ser definido na clara fala do atual Ministro da Defesa, José Mucio: não houve golpe porque o Exército não quis!

É certo que não se pode negar o esforço do STF e do TSE em legitimar o processo eleitoral via urna eletrônica, mas salvar a democracia é um papel que não lhe cabe. Também  não valida os desmandos jurídicos, a intencional e aberrante anulação eleitoral das condenações de Lula- pelo projeto de poder sustentado pela  corrupção que comandou- a autorização de censura ( “ só essa vez”,  no vergonhoso voto de Carmem Lúcia),  a violação completa do ordenamento jurídico, as arbitrariedades do processo conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes, que vai carregar para sempre em sua biografia e na do STF a morte de um manifestante na cadeia, por problemas de saúde, apesar de ter sua liberdade recomendada pela PGR. O cadáver dessa vítima é indissociável desse inquérito dos atos antidemocráticos. E ele tem autor. Da mesma forma como a destruição física que ocorreu em Brasília e o 8/1 tem  mentores ideológicos. Aliás, o STF, continua rugindo alto contra manifestantes banais e rugindo baixo contra os grandes líderes dessa acintosa  tentativa de romper nossa democracia.

É preciso que o país nunca mais permita aventuras desse tipo, mas que isso não seja a desculpa para autorizarmos o vale-tudo institucional em nome das boas intenções. Afinal, como sabemos, o inferno está cheio delas!

 



César Oliveira LEIA TAMBÉM

Charge da Semana

charge

As mais lidas hoje