A influencer digital Vanessa Lopes é uma morena bonita que
faz dancinhas na internet e que, segundo leio, tem 40 milhões de seguidores.
Não se tem notícia de nada mais além das coreografias em trajes reduzidos que
possa constar de sua biografia. Convidada a participar do BBB, o reality show,
ela desistiu após uma semana dentro da casa em forte surto emocional. Uma
nítida síndrome de abstinência da vida virtual. Fora do mundinho da internet,
Vanessa, desenvolveu suas paranoias no BBB e deixou à mostra um ego maior que a
margem de erro do Datafolha. Ela chegou a achar que todos que estavam na casa
eram atores e que o programa era sobre a vida dela, que a Globo tinha feito o
programa sobre isso.
A perda de senso da realidade, a incapacidade de lidar com
uma semana de vida real, sem as doses diárias de aplausos por coreografias repetidas
à exaustão, causaram a decisão de sair do programa, mesmo após conversar com a psicóloga
da Globo.
Muitos criticaram a imaturidade; outros, o deslumbramento, e até a overdose de vaidade que alimenta o monstro de seu ego. Olhando de modo superficial essas reações são compreensíveis, mas o problema é bem mais grave. O que fica claro é o que a nefasta influência da internet pode fazer em egos mal administrados, em pessoas sem maturidade para lidar com o sucesso súbito, com quem passa a viver a ilusão e o aplauso da interação virtual como se fosse real. Ao ser exigida, o recurso que lhe resta é a fuga para o mesmo lugar seguro, a ilha da fantasia, que um dia desaparecerá submersa em novos interesses.
Vanessa, foi só um exemplo de muitos outros casos repetidos. E dos riscos que corremos.