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César Oliveira

Cobertura de esgoto, em Feira, é um desastre e atinge apenas 55% da população

César Oliveira - 19 de Fevereiro de 2024 | 07h 48
Cobertura de esgoto, em Feira, é um desastre e atinge apenas 55% da população
Foto: Reprodução/cslatinoamericana.org

Dados do Instituto Trata Brasil, em sua 15ª edição do Ranking do Saneamento, com foco nos 100 maiores municípios do Brasil, mostra dados preocupantes sobre Feira de Santana.  O relatório faz uma análise dos indicadores do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), ano de 2021, publicado pelo Ministério das Cidades.

A falta de acesso à água potável impacta quase 35 milhões de pessoas e cerca de 100 milhões de brasileiros não possuem acesso à coleta de esgoto. Os dados apontam que o país trata apenas 51,20% do volume gerado, isto é, mais de 5,5 mil piscinas olímpicas de esgoto sem tratamento são despejadas na natureza diariamente.

Vitória da Conquista, em 18o lugar, é o município baiano em destaque, pois vem mantendo esse desempenho ao longo dos anos, embora tenha caído cinco posições em relação a 2022. Salvador está em 40o lugar e Campina Grande, na Paraíba – com quem sempre nos comparamos –, está em 17o lugar.

Em Conquista, uma Lei Municipal datada de outubro de 1997 obriga a Prefeitura a só executar serviço de pavimentação – sempre acompanhada de um sistema de drenagem – nas vias que já dispõem do sistema subterrâneo de esgoto. A baixa taxa de cobertura ocasiona mais doenças, agravos a saúde, aumenta mortalidade e piora a qualidade de vida da população.

Em Feira, não temos avançado e as taxas permanecem desastrosas, sem que a Embasa apresente um plano de melhoria. Talvez, a Câmara de Vereadores pudesse tomar a lei de Conquista como exemplo.

Ranking de Saneamento no Brasil, no ano de 2023, em municípios com mais de 100 mil habitantes:

 

 

Conquista

Feira de Santana

Posição no ranking

18ª

61ª

Atendimento total de água

97,93%

89,88%

Atendimento total de esgoto

82,93%

55,37%

Tratamento total de esgoto

80,88%

70,21%

 

O Instituto Trata Brasil compara os 20 melhores e piores municípios e mostra que a rede de coleta de esgoto é muito discrepante: 97,96% da população, nos 20 melhores municípios, têm acesso aos serviços, enquanto somente 29,25% da população, nos 20 piores municípios, são assistidos. A diferença chega a 68,71 pontos percentuais.

Outro dado espantoso é a diferença de 340% no indicador de tratamento de esgoto, entre os melhores e os piores posicionados. Enquanto o primeiro grupo tem, em média, 80,06% de cobertura, o grupo dos piores oferece apenas 18,21% à população.

A melhoria das condições de saneamento é, portanto, uma emergência nacional. 



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