A enchente do Rio Grande do Sul é uma tragédia que muda
futuros, dilacera memórias, amputa destinos, que precisam ser reinventados. Ela
vai muito além dos mortos. Por isso, é preciso contenção, mais que exibicionismo;
respeito, mais que aproveitamento político.
A nomeação de Paulo Pimenta, canidato a governador, como ministro Extraordinário
para o estado, por Lula, soou mal pelo excesso de oportunismo político em
momento tão terrível. Não é apenas a questão do apoio material e financeiro ao
estado, mas a proximidade humana, a preocupação primária com o sofrimento
duradouro. Ao invés disso, Lula, serviu palanque. A nomeação desagradou a
grande imprensa e até a esquerdista Folha o criticou. Foi um ato desnecessário
de Lula.
“O governo Luiz Inácio Lula da Silva contaminou a tarefa de
lidar com a tragédia climática do Rio Grande do Sul, já complexa ao extremo,
com um lance de oportunismo político rasteiro”.
“Ao escolher como
titular da pasta o agora ex-ministro-chefe da Secom Paulo Pimenta, Lula não
escondeu que pretende explorar politicamente a tragédia daquele Estado. Para
que não restassem dúvidas, o demiurgo petista transformou o anúncio das medidas
num comício obsceno, em que anunciou até que vai disputar ‘mais dez eleições’”.
“A nomeação de Pimenta, candidato potencial ao governo do
Rio Grande do Sul pelo PT sem experiência na gestão de catástrofes, transparece
mais oportunismo político que preocupação genuína com a população que perdeu
tudo e, mais que nunca, depende da ajuda do Estado”.