A pedra mais cantada de todas as
rodas de conversa da cidade aconteceu: Pablo Roberto(PSDB) não resistiu à
impossibilidade numérica de vitória- que sempre soube não haver- e o canto de
sereia da ocupação da vice de José Ronaldo. Com supostos 10% de votos e atuação incisiva como foi visto na reta final da campanha de Colbert, Pablo, dá
um passo a frente no seu projeto político para 2028, caso sua chapa seja
vitoriosa.
Com isso, Ronaldo, agrega o que
foi, até o momento, a única novidade da campanha, aumentando seu cacife.
Evidente que pesquisas a essa altura- ao menos as públicas e não as que correm
nos bastidores- destinam-se mais a empolgar o eleitor do que a definir realidades.
Olhando os números elas soam como filme já visto, tanto na aceitação como na
rejeição- para ambos os lados. Um fenômeno que se repete em cinco disputas que
os grupos já travaram. A impossibilidade de reduzir rejeição parece uma marca
das campanhas.
Por um lado, Ronaldo, apoia-se em um incansável, cotidiano,
permanente, trabalho de campanha que permeou todo governo do prefeito atual e
acentuou-se nos últimos tempos. Carrega um eleitorado consolidado, resiliente,
que o acompanha desde o primeiro mandato e que se aproveita também da rejeição
histórica do PT. Apesar do cansaço natural dos diversos mandatos , problemas
crônicos que não solucionou, das baixas
taxas de oxigenação do longevo e repetitivo secretariado, isso não parece impactar na fatia mais tradicional de seu
eleitorado a ponto de caracterizar abandono.
Por outro lado, José Neto, tenta
mais uma vez sua candidatura- inspirado na persistência do carismático
presidente da República- e acreditando que a dupla Lula e Jerônimo será capaz
de influenciar votos, roubar eleitor do adversário e mudar a trajetória de sua
disputa. Não se deve subestimar o poder da máquina governamental embora o
eleitorado disponível – indecisos e os que buscam alternativas-não seja
exatamente entusiasmado do partido, em um país dividido, o que exigiria uma intervenção maciça de ambos
os líderes para fazer o rumo mudar.
A verdade é que ao eleger
Jerônimo o feirense ficou a sonhar com a Feira do leite e do mel- uma nova era
João Durval. O estado, reconheça-se, tem feito algumas obras( intervenções no
HDPA e ótimas ampliações no HGCA, Casa de Parto, duplicação do acesso a São Gonçalo), mas não a intervenção maciça esperada e mesmo
alguns dos sonhos urbanos seguem inconclusos: término da Lagoa Grande e
proteção da Salgada, viabilização do Aeroporto ( que teve seu último voo
nesse período pré-eleitoral), Centro de
Convenções, Delegacia da Polícia Federal (prometida por Flávio Dino em Outubro
de 2023), ampliação da cobertura de esgoto, resolução de gargalos viários,
conclusão das enfermarias do HGCA. O prazo é curto, mas pode ser que a atenção
à cidade ainda cresça.
A eleição está, mais uma vez,
polarizada. Ao longo das décadas de disputa entre os dois tradicionais líderes políticos
o deputado do PT, José Neto, ampliou sua rede de capilaridade e aproximou-se do
empresariado. Ronaldo, por sua vez, intensificou o método que lhe deu as vitórias: confiabilidade,
cuidado com imagem pública e acessibilidade, sem depender de lideranças
externas.
Dizem que as pesquisas internas,
setoriais, segmentares, traçam um retrato bem mais preciso da eleição do que as
públicas, mas sobre essas só podemos especular. Com o início da campanha na TV
e rádio poderemos ter uma ideia melhor do que podem oferecer e o que espera
Feira no futuro.