Um estudo feito por uma rede de supermercados mostrou que o consumo
caiu 4%, apesar de não haver variação nos preços dos produtos. Ao analisar as
causas, a pesquisa mostrou que as apostas online – as chamadas bets – estavam no centro dessa queda. Ou
seja, as pessoas estão trocando o consumo pelos jogos.
Em um país de misérias sociais e baixa renda, uma
nova ameaça surge, atiçada por esquemas ferozes de propaganda, que incluem
jogadores famosos e os ditos influencers
de internet.
A situação é gravíssima e há muitos estudos neurológicos que
explicam a compulsão de jogar, o impacto na “área da recompensa” do cérebro e
as lesões sociais e econômicas que isso pode causar. Além, naturalmente, do
impacto que isso terá no sistema de saúde, com aumento do custo para tratamento
da saúde mental.
Outro dado terrivelmente impactante veio
da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC), que, em parceria
com a AGP Pesquisas, mostrou que 63% dos brasileiros que fazem apostas online tiveram sua renda comprometida
com essa prática. Ou seja, o brasileiro está trocando o essencial – remédio,
alimentos – pela jogatina sem controle.
O agravante é que mais da metade dos apostadores pertence à
classe C, portanto, já com recursos limitados. São muitas as histórias de
pessoas que contraíram grandes dívidas e perderam patrimônio, com as bets e os caça-níqueis eletrônicos.
A regulação recém-aprovada no Congresso Nacional,
praticamente, nada mudou, no sentido de proteger o cidadão e, mesmo, o estado
do aumento de gastos com o tratamento das pessoas que tiverem sua saúde mental
prejudicada.
Aliás, dois ex-secretários de Haddad que regularam bets viraram chefes da área de apostas
em escritório que participou dos debates de regulação dos jogos. Sem dúvida, repercutiu
mal.
Enfim, o governo terá de agir para estabelecer limites verdadeiros e proteger o cidadão dessa ameaça que afeta o indivíduo e as empresas.