A competição médica e os avanços médicos geraram uma
fronteira sem a devida regulação – ou aplicação – do Código de Ética Médica,
deixando margem a condutas que, frequentemente, não se destinam a melhorar a
saúde do paciente, mas, apenas, a saúde financeira de quem o atende.
A promessa de beleza eterna, sexo infinito, saúde milagrosa e
cura sem esforço tornou-se um produto de venda dessa nossa geração hedonista e
superficial, que busca facilidades e resultados sem investimento pessoal,
exceto o financeiro.
Há um esquecimento fundamental: dinheiro não compra vida
eterna e a biologia e sua cronologia não podem ser vencidas, ainda que se tente
disfarçar com hormônios e outros produtos.
A população precisa ser informada que não existe “soro
detox”, retirada de chumbo, dentre outros, e que a reposição de testosterona
pode causar aumento do clitóris, voz grossa e irreversível, além de outras
lesões.
Estou publicando um caso que atendi, sobre uma paciente com
lesão renal aguda grave, cálcio alto, lesão cardíaca e articular, causados por
intoxicação por uso de Vitamina D em excesso, prescrita por um
ortomolecular. O valor da Vitamina D no sangue da paciente foi o mais alto já
publicado em uma revista médica.
Outro hábito muito comum é o pedido de exames sem indicação.
Recebo pacientes que fizeram 120 exames, antes, até, de ir para a consulta. Ou
seja, não há um pedido individualizado, mas apenas um pacote “industrial” de laboratório.
Vários deles não têm significado nem utilidade clínica, destinando-se, apenas,
a produzir rendimento financeiro e causar impacto no paciente que acredita ser
o médico muito preocupado com ele.
Sempre que você for ao médico e ele pedir mais de 100 exames, há duas possibilidades: ou ele não sabe o que faz ou ele sabe muito bem. E isso é ainda pior.