Nenhum país do mundo recebeu uma tarifa tão pesada como o
Brasil, nem tampouco teve ministros da Suprema Corte punidos com suspensão do
visto de entrada nos EUA. É lógico, portanto, que a ação vai além da mera
diferença da balança comercial – positiva aos EUA, diga-se de passagem- e tem
um componente político que inclui Bolsonaro e Lula.
Não há dúvidas que Bolsonaro estimulou e tentou de todas as
maneiras criar condições para um golpe militar, contido pela não adesão das
Forças Armadas- e não há golpe sem armas. A desordem em Brasília não foi o
bastante para vencer a resistência existente. Não se pode negar que a família
Bolsonaro e outros jornalistas Bolsonaristas buscam nos EUA uma intervenção
contra o julgamento do ex-presidente e sua inevitável prisão.
Há, entretanto condições que favoreceram a intervenção de
Trump. Uma delas é a prática de censura, atuação contra empresas americanas, do
STF, além da completa destruição do devido processo legal que é promovida por
Alexandre de Moraes. Diversos juristas já mostraram em exaustivas discussões
todas as violações que ele promoveu no seu “ inquérito do fim do mundo”. Claro
que essas violações e o peso excessivo das penas aplicadas no processo servem
para Bolsonaro criar a narrativa de perseguição. Do mesmo modo que as últimas
ordens de Moraes contra Bolsonaro se deu após as medidas de Trump, o que é um
erro de oportunidade. As medidas contra Bolsonaro- a maioria prevista em lei-
não pode se dar porque Trump fe ou não fez algo e sim pela necessidade do
processo.
Por outro lado, é preciso que a parte da responsabilidade de
Lula seja colocado de forma explicita, afinal, ele tem um permanente discurso
antiamericano, é aliado da Rússia e da China e defendeu o Irã- país que financia
grupos terroristas- dos ataques americanos. Além disso chamou Trump de nazista
e propôs um golpe fatal nos EUA- a mudança do dólar como moeda de referência.
Ora, Trump não pode tolerar isso jamais.
A reação era inevitável e foi grave, pois há impactos
econômicos importantes. Nenhum país dos Brics tem um discurso tão agressivo
contra os EUA como o Brasil. A escolha de Lula de cutucar o leão com a vara
curta foi deliberada. O problema é que a conta será paga pelo brasileiro comum.