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César Oliveira

O jogo mundial da hegemonia está sendo jogado

20 de Julho de 2025 | 11h 21
O jogo mundial da hegemonia está sendo jogado

É precoce e limitado o entusiasmo dos que falam do declínio do Império Americano. O de Roma, é bom lembrar, levou 300 anos antes de cair. Os EUA atingiram o maior orçamento militar da história atingindo US$ 895 bilhões de dólares. O segundo colocado investiu US$ 200 e os demais vinte países a seguir, reunidos, ainda não alcançam a formidável máquina de guerra americana. Além disso, tem a economia emparelhada com a China ( basta lembrar que a Califórnia tem o quarto maior PIB do mundo) e um domínio tecnológico ainda não alcançado como podemos ver pelas empresas de tecnologia principais. Isto, sem contar os países que estão associados a sua rede.

É certo, no entanto, que ao final da Segunda Guerra o país tinha 50% da produção industrial do mundo e hoje tem algo ao redor de 30%. Não podemos negar, apesar disso, que o mundo cresce em direção a Ásia que, cada vez mais, a China será um concorrente poderoso se mantiver o projeto de crescimento que tem seguido. O soft power que foi doutrina do governo americano foi substituído pela força e imposição pelo governo Trump que enxerga em todas as relações comerciais alguém de quem se pode obter mais, criando desconfianças nos parceiros, instabilidade, e, inclusive,  resistências importantes. A China, por sua vez, de forma obstinada e planejada vai estendendo sua rede de influência pelo mundo, com infiltração econômica e política, recriando,  uma nova “rota da seda”. O gigantesco porto de Chancay que construiu e inaugurou no Peru é a prova disso.

Trump, por sua vez, ao afirmar que pode invadir Groelandia e Canal do Panamá, sinaliza que se a China invadir Taiwan – produtor de chips- ele poderá fazer o mesmo.  Trump resolveu escancarar essa realidade de mudança no mundo, chacoalhar a Europa para se tornar mais ativa em sua defesa, e aumentar a lucratividade dos Estados Unidos em suas relações comerciais.

É um jogo de hegemonia, poder, influência, que está sendo jogado. Teremos de escolher um lado e torcer para que o mundo não passe da linha de não retorno, afinal, até alguém alcançar o poderio militar americano ainda teremos uma longa estrada. 



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