Codorna assada tem muita por aí; mas tostada ao ponto, com molho secreto, farofa de manteiga deliciosa e alma de boteco de rua, só a do Gene. O Cantinho da Codorna, de Genevaldo — o popular Gene — tem 30 anos de estrada. Começou como uma mercearia que tomou gosto por servir a ave assada e, com os anos, caiu no imaginário popular do feirense, tornando-se referência em comida de boteco.
O local atrai uma freguesia
cativa que "bate ponto" por lá, em especial às sextas-feiras, quando
falta mesa para tanta procura. O movimento começa às cinco da tarde e só
termina por volta das onze da noite. O bar é simples, como exige a praxe do
boteco popular, sem muita regra ou frescura: pedir, comer e beber, sem
perturbar.
A cerveja — com extensa variedade
para atender a todos os gostos — é servida estalando de gelada pelo Victor, em ritmo
sem desespero. Já a codorna, servida pelo agitado Reinaldo, vem no espeto de
grade; ele a abre e serve diretamente do fogo para o prato, com a pele
crocante, crepitando no dente. A farofa tem um ponto próprio: finamente
cremosa, com a farinha "dançando" em muita manteiga antes de dominar
a boca.
O volume de espetos sendo assados
é impressionante, e ninguém reclama da espera. Boteco não é lugar para quem tem
pressa, mas para quem quer se despir das formalidades e se sentir livre, mas
bem atendido. O Bar do Gene é um ritual da cidade. O próprio Gene circula entre
as mesas esbanjando simpatia, ciente de que, em um bar de verdade, todos são
iguais e o carisma do dono é metade do
tempero.
Embora o Cantinho ofereça outras
opções, além da codorna — como cupim e picanha — recomendo a tilápia (provada
nesta última sexta). Aberta e feita na brasa, ela chega macia por dentro e bem
assada por fora.
A "fauna" que frequenta
o local é das mais diversas: de clientes que já viraram mobília a estreantes.
Estudantes, jovens casais, empresários, políticos e jornalistas — todos se
encontram ali. Inclusive, às sextas, quem aparece pode contar com a
"canja" de “Caroço de Arroz”, que frequenta só pelo prazer de cantar,
puxando aquelas músicas que habitam o imaginário de quem tem história para
contar.
O Cantinho da Codorna fica na Rua
Prudente de Moraes, 235, Ponto Central. Se não foi, vá. Eu garanto.