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César Oliveira

Cantinho da Codorna do Gene: Mais que um Bar, um Patrimônio

César Oliveira - 07 de Fevereiro de 2026 | 15h 25
Cantinho da Codorna do Gene: Mais que um Bar, um Patrimônio
Cantinho da Codorna

Codorna assada tem muita por aí; mas tostada ao ponto, com molho secreto, farofa de manteiga deliciosa e alma de boteco de rua, só a do Gene. O Cantinho da Codorna, de Genevaldo — o popular Gene — tem 30 anos de estrada. Começou como uma mercearia que tomou gosto por servir a ave assada e, com os anos, caiu no imaginário popular do feirense, tornando-se referência em comida de boteco.

O local atrai uma freguesia cativa que "bate ponto" por lá, em especial às sextas-feiras, quando falta mesa para tanta procura. O movimento começa às cinco da tarde e só termina por volta das onze da noite. O bar é simples, como exige a praxe do boteco popular, sem muita regra ou frescura: pedir, comer e beber, sem perturbar.

A cerveja — com extensa variedade para atender a todos os gostos — é servida estalando de gelada pelo Victor, em ritmo sem desespero. Já a codorna, servida pelo agitado Reinaldo, vem no espeto de grade; ele a abre e serve diretamente do fogo para o prato, com a pele crocante, crepitando no dente. A farofa tem um ponto próprio: finamente cremosa, com a farinha "dançando" em muita manteiga antes de dominar a boca.

O volume de espetos sendo assados é impressionante, e ninguém reclama da espera. Boteco não é lugar para quem tem pressa, mas para quem quer se despir das formalidades e se sentir livre, mas bem atendido. O Bar do Gene é um ritual da cidade. O próprio Gene circula entre as mesas esbanjando simpatia, ciente de que, em um bar de verdade, todos são iguais e o carisma  do dono é metade do tempero.

Embora o Cantinho ofereça outras opções, além da codorna — como cupim e picanha — recomendo a tilápia (provada nesta última sexta). Aberta e feita na brasa, ela chega macia por dentro e bem assada por fora.

A "fauna" que frequenta o local é das mais diversas: de clientes que já viraram mobília a estreantes. Estudantes, jovens casais, empresários, políticos e jornalistas — todos se encontram ali. Inclusive, às sextas, quem aparece pode contar com a "canja" de “Caroço de Arroz”, que frequenta só pelo prazer de cantar, puxando aquelas músicas que habitam o imaginário de quem tem história para contar.

O Cantinho da Codorna fica na Rua Prudente de Moraes, 235, Ponto Central. Se não foi, vá. Eu garanto.



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