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  • Feira de Santana, terça, 10 de fevereiro de 2026

André Pomponet

Carnaval na Princesa do Sertão

André Pomponet - 10 de Fevereiro de 2026 | 11h 35
Carnaval na Princesa do Sertão
Foto: ACM - Arquivo

Finalmente, ontem, uma forte chuva caiu sobre a Feira de Santana. Não vieram os raios e os trovões, mas a precipitação foi caudalosa. Por alguns minutos uma densa cortina d’água envolveu o horizonte e as nuvens baixas tornaram a atmosfera acinzentada. Só que durou pouco. A água acumulou-se em ruas e avenidas mas, na maior parte delas, logo escoou pelos bueiros. O trânsito congestionou-se durante algum tempo, mas fluiu em seguida.

A chuva me colheu embarcando num carro de aplicativo, os pingos encharcando a roupa. Na véspera, escrevera um texto reclamando das trovoadas que chegavam aqui e se dispersavam, recalcitrantes. Mesmo encharcado não reclamei, claro: afora o incômodo da roupa molhada, a precipitação foi muito bem-vinda: o calor declinou, o céu ardente ganhou uma acolhedora camada de nuvens e o cheiro agradável de terra molhada se irradiou por algum tempo.

Mas há gente preocupada: o Carnaval está aí logo à frente. Será que vai chover no Carnaval? Talvez o clima chuvoso atrapalhe nos circuitos soteropolitanos e nas praias que abrigarão levas de turistas. Mas aqui, na Feira de Santana, caso chova, o incômodo será pequeno. Afinal, a cidade se esvazia nos cinco dias de folia. Quem pode, pega a estrada.

Até o começo da tarde de sábado há o bulício comercial, há gente que vem de fora para fazer compras. Depois, resta a lufa-lufa de quem vai viajar e, já à noite, reina uma tristonha melancolia. É dilacerante o contraste entre o silêncio e a solidão da Princesa do Sertão e as imagens de multidões animadas e ruidosas nos circuitos momescos, sob a iluminação profusa.

Nem a luz alegre do sol na manhã do domingo de Carnaval espanta essa melancolia. O silêncio, persistente, parece que reverbera os ecos da cidade vazia, sem sua agitação habitual. A segunda-feira sem feira-livre e sem comércio é uma contradição violenta, que quase pulsa em meio à pasmaceira. Não se vê, mas se sente aquela requisição muda, indeterminada, por agitação e movimento.

Só na terça-feira a tensão e a inquietude diminuem, pois já prevalece aquela atmosfera de feriado que finda, para alívio de quem anseia retomar suas atividades mercantis, comprar, vender, fazer dinheiro, apurar o lucro. O silêncio também é menor, o ronco dos motores anuncia o retorno ruidoso de quem foi veranear pelas praias, refugiar-se nalguma fazenda.

É provável que não chova na Feira de Santana no Carnaval, conforme estima a previsão do tempo. Mas, se chover, o incômodo será pequeno. No máximo, atiçará só mais uma ponta de melancolia em quem ficará na Princesa do Sertão...





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