A Corte de Apelação de Roma encerrou, nesta quinta-feira (12), a fase de audiência no julgamento sobre a extradição da ex-deputada Carla Zambelli. Agora, deverá se reunir para deliberar a sentença. O resultado sairá nos próximos dias.
O julgamento da matéria teve início ontem (11), mas foi
suspensa, após manifestação do Ministério Público italiano e de um advogado da
ex-parlamentar. Hoje, o representante do governo brasileiro e mais um advogado de
defesa prestaram depoimento.
Zambelli, que tem passaporte italiano, foi presa no dia 29 de julho de 2025, na
Itália, para onde fugiu, depois de condenada à prisão pelo Supremo Tribunal
Federal (STF) do Brasil.
A então parlamentar deixou o país dias antes de se esgotarem
os últimos recursos contra a sentença de 10 anos de prisão pela invasão aos
sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O crime ocorreu em 2023 e, conforme
o inquérito da Polícia Federal (PF), foi cometido pelo hacker Walter Delgatti Neto, a mando de Carla Zambelli.
A extradição foi solicitada pelo Brasil, por determinação do
STF. O julgamento da matéria chegou a
ser adiado, mais de uma vez, pelo tribunal italiano, uma em dezembro de
2025 e outra no último mês de janeiro. Nas duas ocasiões, o juízo responsável disse
ser necessário mais tempo para a análise de documentos.
Na última terça-feira (10), a
Justiça italiana negou uma solicitação da defesa de Zambelli. Os advogados haviam
pedido que os juízes responsáveis pelo caso fossem substituídos, sob alegação
de parcialidade.
Desde que deixou o Brasil, Zambelli foi novamente condenada
pela Suprema Corte. Desta feita, pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e
constrangimento ilegal, cometidos em outubro de 2022. No episódio em questão,
Zambelli perseguiu um homem negro
pelas ruas da cidade de São Paulo, de arma em punho.
Em razão das condenações, a então parlamentar teve o mandato
cassado pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta. A medida foi
determinada pelo STF, depois de o plenário da Casa Legislativa ter aprovado a
manutenção do mandato, prevalecendo, portanto, o entendimento de que a pena em
regime inicial fechado não é compatível com o mandato legislativo.
Ao requerer a extradição de Carla Zambelli, o ministro
Alexandre de Moraes, relator dos casos, garantiu que o presídio brasileiro no
qual as penas deverão ser cumpridas mantém padrões de salubridade, segurança e
assistência às detentas, além de oferecer atendimento médico e cursos técnicos.
O magistrado também informou que nunca houve rebelião na penitenciária.
*Com informações da
Agência Brasil.