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André Pomponet

Sombras e incertezas eleitorais

André Pomponet - 06 de Março de 2026 | 09h 39
Sombras e incertezas eleitorais
Foto: Reprodução

A movimentação para as eleições de 2026 começou bem antes do período eleitoral propriamente dito. Na Bahia, teve início ano passado, quando a fritura do senador Ângelo Coronel ganhou impulso; em nível nacional, também houve enorme antecipação: primeiro, a oposição esmagava um Lula enfraquecido; depois, as lambanças da extrema-direita fortaleceram Lula; agora, enxerga-se uma nova reversão nas expectativas.

O curioso é que, apesar da gigantesca precipitação, nunca houve tão pouca clareza sobre o que pode acontecer até outubro. Em nível estadual, candidaturas e composições de chapas estão razoavelmente claras, apoios caminham para a consolidação e o repertório dos candidatos é conhecido do público, até por praticamente não haver debutantes.

Embora menos cristalino, o cenário nacional tem, pelo menos, o principal embate já desenhado: o presidente Lula tentando manter-se no cargo e Flávio Bolsonaro (PL) – o filho do “mito” – como principal adversário. Indeciso, o “Centrão” mantém-se à espreita, farejando favoritismo e benesses; com cenário incerto, a dúvida pode se prolongar, convenientemente, até o pleito.

Mas, apesar das claras demarcações políticas e ideológicas, há muitas sombras no cenário. Os fronts interno e externo fornecem as incertezas. Muitas delas derivam dos riscos – reais e potenciais – à democracia. Caminha-se, efetivamente, para as eleições, mas sob que condições? Diversos acontecimentos recentes fortalecem temores e dúvidas.

Tresloucado, Donald Trump pode tentar interferir nas eleições brasileiras? De que maneira? Além dele há outros atores interessados, como os players das big techs? As intervenções se limitariam ao vale-tudo do universo digital ou – dado o conflagrado cenário atual – poderiam ir além? O questionamento é recorrente e, em função do modus operandi do Imperador Laranja, não pode ser repelido como especulação ou temor infundado.

No cenário interno também há motivos para preocupações. Afinal, há três anos, inconformada com o resultado das eleições, a extrema-direita tentou um golpe, que fracassou; caso perca novamente, como essa gente reagirá? Xingamentos e ameaças a adversários políticos e a ministros do Supremo Tribunal Federal permanecem, sinalizando a mesma postura do passado recente.

Para tornar o ambiente ainda mais turbulento, há os recentes escândalos de corrupção que, pelo visto, envolvem políticos à direita, à esquerda e – sobretudo – o insaciável “Centrão”. É inegável que as investigações envolvendo o INSS e o Banco Master, por exemplo, adicionam tensão ao cenário já conturbado.

Enfim, à primeira vista, tudo parece claro e transparente, com as tratativas para composição de chapas e alianças eleitorais ganhando fôlego e caminhando para sua conclusão. Mas, numa dimensão mais ampla, pairam incertezas recentes e ameaças que não se verificavam há décadas.

Resta torcer para que a trôpega democracia brasileira siga se sustentando de pé, neste dramático ano eleitoral de 2026...



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