Tribuna Feirense

  • Facebook
  • Twiiter
  • (75) 9707-1234
  • Feira de Santana, segunda, 22 de junho de 2026

César Oliveira

Gonet transforma a PGR em instituição fragilizada

César Oliveira - 06 de Março de 2026 | 09h 42
Gonet transforma a PGR em instituição fragilizada
Gustavo Moreno/STF

Um grande homem é aquele que eleva a instituição sob seu comando a um patamar superior ao que encontrou antes de sua chegada ao poder. Aqueles que a reduzem  costumam ser uma mancha na memória institucional, restando, na história, apenas como nota negativa.

Aconteceu com Augusto Aras e acontece, agora, com Paulo Gonet, Procurador-Geral da República, que parece ter optado pela inércia. Com uma atuação anódina , o ex-sócio de Gilmar Mendes em seu Instituto de Educação parece priorizar vinculações do passado, em detrimento do cargo que ocupa.

A inércia com que atua diante do Caso Vorcaro é um desses testemunhos dolorosos de uma biografia cada vez mais esquálida. Gonet manteve-se inerte perante às revelações de que Dias Toffoli seria sócio oculto dos irmãos em uma empresa suspeita de lavagem de dinheiro, além das negociações envolvendo o Resort Tayayá, no Paraná, com um fundo de investimento cujo único cotista era o cunhado de Vorcaro.

O "elástico" Gonet não considerou tais fatos suficientes sequer para apontar a suspeição do ministro na relatoria do Caso Master. Mesmo diante do fabuloso contrato de R$ 129 milhões do Banco Master com o escritório de advocacia da mulher do ministro Alexandre de Moraes — uma profissional de currículo desproporcional a tal cifra e que, ao que tudo indica, nada entregou em troca —, o PGR não viu estímulo para abrir uma investigação.

Recentemente, o novo relator, ministro André Mendonça perdeu a paciência. A gota d’água foi o parecer de Gonet contrário à nova prisão de Vorcaro, ignorando a representação da Polícia Federal (PF). O PGR não vislumbrou "perigo iminente" na liberdade de um criminoso acusado de: manter uma milícia privada;  Invadir sistemas da Justiça, da PF, da PGR, do FBI e da Interpol; Trabalhar ativamente para ocultar o patrimônio desviado; Encomendar o espancamento de um jornalista; e ameaçar funcionários de agressão física. 

Em sua decisão, Mendonça foi categórico: “diante desse robusto quadro fático-probatório, lamenta-se que a PGR diga que ‘não se entrevê no pedido [...] a indicação de perigo iminente’. Lamenta-se porque as evidências dos ilícitos e a urgência para adoção das medidas requeridas estão fartamente reveladas”.

Ao agir assim, Gonet enfraquece o Ministério Público, omite-se de sua obrigação ética como servidor do cidadão e permite-se submergir no pântano em que se transformou parte do Supremo Tribunal Federal (STF).



César Oliveira LEIA TAMBÉM

Charge da Semana

charge

As mais lidas hoje