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César Oliveira

Safardanas, Sevandijas e Pesporrentes

César Oliveira - 07 de Março de 2026 | 16h 12
Safardanas, Sevandijas e Pesporrentes

O Brasil assiste, entre o estarrecimento e a desmobilização, a uma das mais devastadoras revelações sobre as engrenagens do poder: o escândalo do Banco Master.

Com um rombo estimado em mais de R$ 40 bilhões — montante que recairá sobre o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e, por extensão, sobre o sistema financeiro nacional —, o caso se tornou um emblema de corrupção sistêmica.

O crescimento da instituição, iniciado na Bahia, com a polêmica venda do Credcesta, sob a gestão de Rui Costa, ocorreu de forma meteórica. O banco não apenas expandiu seus ativos, mas infiltrou-se, de forma metastática, nas diversas instâncias do Estado.

No centro, está o concupiscente Daniel Vorcaro, movido por desejo irrefreável pelo gozo e ânsia por ostentação material e posse sexual, exemplificados nas orgias em sua casa, em Trancoso, e festas com centenas de prostitutas.

Tais relatos e o uso instrumentalizado de mulheres para seduzir autoridades sugerem uma estratégia de "proxenetismo de luxo", voltada à compra de influência e à prática de chantagens.

Safardana contumaz, Vorcaro operou com métodos que remetem a estruturas mafiosas.  Não se limitou à busca por proteção política; investiu cifras astronômicas para cooptar o Judiciário.

O escândalo aponta para o pesporrente ministro Alexandre de Moraes, mencionando um contrato de R$ 129 milhões vinculado à sua esposa — advogada de currículo inexpressivo. Mensagens reveladas pela jornalista Malu Gaspar indicariam uma proximidade atípica entre o banqueiro e o magistrado.

O fato de o biltre ter acionado Moraes, e não sua defesa técnica, no momento da prisão, levanta suspeitas graves sobre tráfico de influência e prevaricação. A mensagem de visualização única — “conseguiu bloquear?” — parece ter sido escrita, com um batom irremovível, na estátua da Justiça do STF.

A mancha da suspeita imoral estende-se ao ministro Dias Toffoli. As investigações sugerem a existência de empresas interpostas envolvendo parentes do magistrado e sócios do banqueiro, com destaque para o polêmico resort Tayayá.

Toffoli, que chegou ao STF por ter sido  advogado do PT, atuou para impor sigilo absoluto sobre as revelações do processo, blindando o esquema, que só veio à tona após a mudança de relator do processo.

Além disso, o sistema cooptou sicofantas, na imprensa, e influenciadores, que disseminavam desinformação e calúnias contra opositores. Vorcaro, um futre, desenvolto, manteve agendas extraoficiais com o presidente Lula, autoridades do Banco Central (BC) e políticos, como Ciro Nogueira. Houve, inclusive, tentativas de utilizar o Banco de Brasília (BRB), de Ibaneis Rocha, para absorver ativos tóxicos de suas empresas falidas.

Vale recordar que Jaques Wagner teria articulado um cargo de R$ 1 milhão, para Guido Mantega, no Master. E que a instituição mantinha contrato com o escritório de Ricardo Lewandowski — então titular da Justiça —, pelo valor de R$ 250 mil mensais.

O esquema criou, ainda, uma espécie de milícia privada, para agredir jornalistas, coagir críticos e funcionários, infiltrando-se em órgãos de controle, como a Polícia Federal, o FBI, a Interpol e o Ministério Público (MP), para a obtenção de informações privilegiadas.

Diante da inércia do Procurador-Geral da República (PGR), Paulo Gonet — ex-sócio de Gilmar Mendes, um bonifrate sob influência do STF —, o cenário é de uma crise institucional sem precedentes.

A promiscuidade entre o capital financeiro, o sevandija Vorcaro, a política e a cúpula do Judiciário arrastam o STF para um lamaçal, que desmoraliza os discursos de "salvação da democracia" e coloca sob suspeição a legitimidade eleitoral brasileira.

O que se espera, em um Estado Democrático de Direito, é o afastamento imediato dos envolvidos e uma depuração rigorosa das instituições, antes que o pouco respeito que lhes resta se dissipe totalmente.



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