A dificuldade para engravidar afeta milhões de pessoas em todo o mundo e vem ganhando cada vez mais espaço nas discussões sobre saúde e planejamento familiar. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que cerca de 1 em cada 6 adultos enfrenta infertilidade ao longo da vida, o que reforça a importância da conscientização sobre saúde reprodutiva, diagnóstico precoce e acesso à informação qualificada.
Apesar da alta prevalência, especialistas
apontam que ainda existe um forte tabu em torno do tema, o que contribui para
que muitas pessoas adiem a busca por avaliação médica e investigação da
fertilidade. Em muitos casos, a dificuldade em falar sobre o assunto faz com
que o diagnóstico ocorra mais tarde do que poderia.
“Muitas pessoas ainda associam a investigação da fertilidade
a um problema definitivo ou a algo que só deve ser buscado em situações
extremas. Na prática, avaliar a fertilidade faz parte do cuidado com a saúde
reprodutiva e pode trazer respostas importantes muito antes de se imaginar um
cenário mais complexo”, afirma a diretora médica da IVI Salvador, Dra.
Genevieve Coelho.
A médica destaca ainda que a infertilidade não é uma condição
exclusiva da mulher, como ainda é frequentemente percebido no senso comum.
Estudos e dados clínicos indicam que os fatores masculinos e femininos aparecem
em proporções semelhantes, além dos casos em que a dificuldade para engravidar
envolve ambos os parceiros. “Em proporções muito próximas, a infertilidade pode
estar relacionada à mulher, ao homem ou a ambos. Por isso, a investigação deve
sempre considerar o casal e não apenas um dos lados”, explica.
De acordo com recomendações médicas, casais com menos de 35
anos devem buscar avaliação após um ano de tentativas sem sucesso. Já mulheres
acima dessa faixa etária devem procurar um especialista após seis meses, devido
à redução natural da fertilidade feminina com o passar do tempo. Entre os
fatores que podem estar associados à infertilidade estão alterações menstruais,
histórico de endometriose, doenças hormonais, cirurgias ginecológicas, abortos
recorrentes e alterações na fertilidade masculina, que podem incluir condições
como baixa produção de espermatozoides, sequelas provocadas pela varicocele e
alterações na motilidade ou na qualidade dos gametas. Ainda assim, um dos
principais desafios é que, em muitos casos, a dificuldade para engravidar não
apresenta sinais evidentes, o que reforça a importância da investigação
adequada.
A medicina reprodutiva reúne diferentes técnicas que auxiliam
pacientes em variados cenários, como o coito programado, a inseminação
artificial e a Fertilização in Vitro (FIV), na qual a fecundação ocorre em
laboratório antes da transferência do embrião para o útero. Nos últimos anos,
os avanços da área têm permitido diagnósticos mais precisos e tratamentos cada
vez mais personalizados, ampliando as possibilidades de acompanhamento para
diferentes perfis de pacientes, incluindo pessoas solteiras e casais
homoafetivos que desejam construir uma família.
Para a especialista, o acesso à informação e a quebra de
estigmas são fundamentais para transformar a forma como a fertilidade é
percebida socialmente. “A infertilidade ainda é um tema cercado de silêncio e
tabus. Quando o assunto é trazido para o debate público com informação de
qualidade, as pessoas passam a enxergar que buscar ajuda não é um sinal de
urgência extrema, mas sim de cuidado e planejamento”, conclui.
Sobre o IVI – RMANJ – IVI nasceu em 1990 como a primeira instituição médica na Espanha especializada inteiramente em reprodução humana. Atualmente são em torno de 190 clínicas em 15 países e sete centros de pesquisa em todo o mundo, sendo líder em Medicina Reprodutiva e o maior grupo de reprodução humana do mundo.