A Seleção Brasileira venceu a frágil Haiti. Evoluímos em relação ao primeiro jogo, empate em 1x1 com Marrocos? Sim, é claro. Mas não o suficiente para dar uma motivada na torcida. Continuamos desconfiados. Passamos 50 minutos do segundo tempo sem ter a competência de fazer um gol sequer, nos bravos haitianos. Neste momento, ninguém apostaria na gente, diante de um confronto de maior equilíbrio, essa é a verdade. Ter enfrentado um adversário da América Central foi de fundamental importância, nesta segunda rodada da fase de grupos da Copa do Mundo.
Se a tabela emendasse um outro jogo complicado, como foi contra os africanos, só Deus sabe como estaríamos nós esta manhã. Provavelmente, de cabeça inchada. Mas foi o Haiti, de quem tínhamos a obrigação de vencer. Esperávamos uma goleada, que não aconteceu. Foi um 3x0 protocolar, com chances desperdiçadas, mas também alguns sustos, como a bola tirada quase de dentro do gol de Alisson, pelo Gabriel Magalhães.
Vimos Paquetá, Bruno Guimarães e Casemiro, nosso meio-campo, melhorar o desempenho; Vini Júnior driblar bem, marcar gol e dar assistência para o terceiro; a boa performance do atacante Matheus Cunha, autor de dois gos e melhor nota nos aplicativos de análise; nos divertimos com o Endrick em campo, embora pouco tenha produzido, e também o ex-vascaíno Rayan correr muito; acompanhamos outra atuação muito fraca do excelente Raphinha, que ainda deixou o campo lesionado, preocupando a comissão técnica, por ser uma distensão muscular.
Defesa é complicado avaliar. Numa partida em que o ataque adversário pouco produz, fica fácil. Foi quase um jogo-treino, em que reservas lutam muito contra os titulares, mas são estes que vencem, quase sempre. Algo muito diferente do que ainda está por vir. Com quatro pontos, uma vitória e um empate, o Brasil já está praticamente classificado, na pior das hipóteses como um dos melhores terceiros colocados.
Contra a Escócia, no feriado de São João, quarta-feira, às 19 horas, temos um adversário que, embora bem superior ao Haiti, não faz parte da elite do futebol mundial. O jogo promete emoções, pois os escoceses vão ter que jogar pra vencer. Ganhar os 3 pontos é a única esperança para que o selecionado britânico possa ser ao menos um dos melhores terceiros colocados e chegar a este primeiro mata-mata digno de Copa do Brasil, com 32 times.
Para o Brasil, uma derrota fatalmente vai nos colocar como um dos classificados no rânking dos melhores terceiros colocados de cada grupo. O que isto significa? Ter que enfrentar um rival dos mais poderosos antes mesmo das oitavas de final, o que não seria nada bom. O negócio é ganhar o próximo jogo, para garantir no mínimo o segundo lugar - a disputa pela liderança, com Marrocos, seria no saldo de gols.
Agora, o Brasil tem saldo de 3 gols, enquanto Marrocos, 1. Mas nosso concorrente tem pela frente o Haiti e deve aproveitar melhor a fragilidade deste adversário, vencendo com margem maior do que fizemos. Ou seja, se a Seleção de Carlo Ancelotti quiser escapar do primeiro colocado do grupo F (Suécia, Japão ou Holanda), vai precisar fazer uns gols a mais contra a Escócia. É sempre melhor brigar com quem não terminou a fase de grupos na liderança.