A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (8), a admissibilidade da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 291/2013, que extingue a aposentadoria compulsória como sanção disciplinar aplicada a magistrados.
Com a aprovação na CCJ, a proposta segue agora para análise de uma comissão especial. Caso avance nessa etapa, será submetida à votação no plenário da Câmara dos Deputados, onde precisará ser aprovada em dois turnos por, no mínimo, três quintos dos parlamentares.
Atualmente, a aposentadoria compulsória é uma das penalidades previstas para juízes condenados em processos administrativos disciplinares. Nesses casos, o magistrado deixa o cargo, mas continua recebendo remuneração proporcional ao tempo de serviço.
Os autores da PEC defendem que esse modelo perdeu o caráter punitivo e passou a ser interpretado como um benefício, já que o magistrado continua recebendo vencimentos mesmo após ser afastado por infrações disciplinares.
Relator da matéria, o deputado Helder Salomão (PT-ES) manifestou apoio à proposta, destacando que a mudança fortalece a responsabilização dos membros do Judiciário. Ele ressaltou, porém, que a perda definitiva do cargo continuará dependendo de decisão judicial, conforme previsto na Constituição.
No parecer aprovado pela CCJ, apenas a PEC nº 291/2013 foi considerada admissível. Outras propostas que tratavam do mesmo tema foram rejeitadas.
A discussão ganhou força após o Supremo Tribunal Federal (STF) defender, em maio deste ano, o fim da aposentadoria compulsória como penalidade disciplinar para magistrados. A proposta também já recebeu aprovação unânime no Senado Federal.