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César Oliveira

Violência e estatística

10 de Novembro de 2015 | 09h 53
Violência e estatística

Estatística, nós sabemos, serve a todos com a mesma serventia. Não podemos usá-la, entretanto para ampliar ou reduzir a dimensão de uma situação ou construir um discurso. Um exemplo: existe sim uma maior taxa de crimes violentos contra os negros, como citam os debatedores. A situação é real.  É preciso ressaltar, no entanto, que 84% da população da Bahia se auto-declara negra ou parda. Mesmo em articulistas mais centrados esta analise é feita sem o cotejamento dos números e não pode ser assim. É preciso, portanto, pegar os dados e comparar mortes em negros e não negros, contra o perfil da população e, aí sim, obtemos a taxa real por 100 mil e o tamanho real do problema que precisamos enfrentar.

Utilizar os dados de forma bruta é apenas usar a estatística para amplificar o discurso da violência direcionada. Deixo claro que a situação existe e que bastaria um caso a mais para que isto fosse combatido, mas precisamos fazer o discurso no tamanho exato, preciso, e não de forma enviesada.



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