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César Oliveira

Microcefalia de bebês e os criminosos administrativos

29 de Novembro de 2015 | 11h 02
Microcefalia de bebês e os criminosos administrativos

Há muitas coisas nos dias atuais com as quais nos indignarmos. Há os atentados em Paris, no Mali. Há o horror de lama e morte em Mariana. Uma, entretanto, não consegue sair do meu pensamento: os bebês com microcefalia, especialmente em Pernambuco.

Não consigo imaginar o tamanho da dor dilacerante destas mães tendo um filho com deficiência, com o custo econômico, emocional, social, que isto impõe às famílias, aos relacionamentos.

São famílias que nunca mais serão as mesmas, nem seguirão a história natural de suas vidas. Já são mais de 700 amputados de suas idealizações, sonhos e atirados fatalmente em uma realidade irreversível. Quando isto acontece por um acaso genético é perfeitamente compreensível e faz parte da ordem natural da vida.

Entretanto, quando acontece por conta de um mosquito controlável, por uma doença evitável (zika), que os governos na sua incompetência e fome de desviar recursos públicos deixam se tornar endêmica, me causa uma ira, uma raiva, uma indignação que me custa controlar e suportar.

Não é mais possível tolerar este Brasil...



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