Ubirajara Souza é um veterano entre os lojistas da Sales Barbosa e ao longo de muitos anos de trabalho em sua loja, viu os clientes sumirem. “Camelizou” um pouco os produtos, por questão de sobrevivência.
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“Gosto de trabalhar com produtos médios, mas a gente perde muito cliente, porque o cliente de certo meio não vem à Sales Barbosa, porque não tem segurança, não tem como circular. Então ficamos só praticamente com o comércio mais popular”, explica.
Ele reclama dos camelôs mas também da desunião da própria categoria, que poderia fechar as portas em protestos, e parar de pagar impostos, para ver se as autoridades de qualquer esfera tomavam uma providência. “Se o comerciante fosse todo unido isso não estava assim não”, assegura.
Hélio Santana Júnior, com loja na mesma rua, defende a retirada das barracas, a fim de dar mais segurança e condição do consumidor se movimentar pela rua e enxergar as lojas. “Na situação que se encontra, se torna inviável”, acredita.
Outro empresário do calçadão em que a calçada sumiu, João Neto acha desnecessário retirar os camelôs e é pela organização, que define como “colocar padrão e limite”.
Ele pensa ser impossível a esta altura retirar os concorrentes que trabalham na rua. “É uma sobrevivência deles, sustentam a família por esse trabalho. Não pode tirar para deixar em casa, porque aí é menos um a dar o apoio a sua família, alimentação para esposa e filhos”, contemporiza.
O comerciante Roberto Carlos, que frequentemente se manifesta em entrevistas contra o estado das ruas do Centro, especialmente da Sales Barbosa, não vê com bons olhos a presença dos ambulantes, até porque a relação não é fácil. Ele acha que os “invasores” têm mais controle da rua. Atualmente está cavando um poço no fundo da loja, porque foi pedir para escavar na rua e a “autorização” foi negada. Para ele, o prejuízo trazido pela informalidade é grande. “Feira tem um comércio muito forte. Aqui não estamos sentindo essa crise que se fala. Se não fossem os ambulantes, a gente estava tendo crescimento”, aposta.