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Saúde

Seis estados brasileiros estão próximos de colapso de UTIs para Covid-19

09 de Dezembro de 2020 | 15h 11
Seis estados brasileiros estão próximos de colapso de UTIs para Covid-19
Foto: Agência Brasil

Seis estados brasileiros estão com mais de 80% dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) ocupados. Esse percentual, elevado em função da nova onda de crescimento de caso de Covid-19, demonstra a iminência de um colapso.

De acordo com CNN, que levantou os dados junto às Secretarias de Saúde estaduais, Santa Catarina apresenta a maior lotação de UTIs para pacientes infectados pelo novo coronavírus. Neste estado, 88,3% das vagas estão em uso.

Segundo os números, compilados até início da noite desta terça-feira (8), o Paraná aparece em segundo lugar, com 87% dos leitos ocupados. Em seguida, Pernambuco, com 87%; Espírito Santo, com 83,6%; Mato Grosso do Sul, com 82%; e Rio Grande do Sul, que registra taxa de ocupação de 81,9%.

Ainda conforme a CNN, na outra ponta do ranking, estão Minas Gerais (23,5%), Mato Grosso (35,9%) e Maranhão (38,2%). Estes são os únicos estados com menos de 40% das vagas de UTI para Covid-19 em uso.

Em São Paulo, epicentro da doença desde que a pandemia começou e estado que concentra a maior quantidade de casos e mortes causadas pelo novo coronavírus, 57,5% dos leitos de UTI estão ocupados.

A médica Suzana Lobo, diretora presidente da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib), disse à CNN que o aumento na taxa de ocupação de leitos, no Brasil, repete os índices observados na primeira onda de contágio. “As taxas aumentaram, inicialmente, nos hospitais privados e, em seguida, nos hospitais públicos. É evidente que é uma segunda onda”, ressalta.

CAPITAIS – De acordo com a CNN, os dados estaduais, entretanto, não refletem a situação de cidades onde a rede de saúde está perto do colapso. Segundo a reportagem, se apenas os números das capitais forem analisados, a situação mais caótica é a do Rio de Janeiro. A cidade está com a taxa de ocupação de UTIs para pacientes com Covid-19 em 91%. Na capital fluminense, os leitos de enfermaria destinados ao tratamento da doença têm 87% de ocupação.

Os dois índices, diz a CNN, são mais altos do que os registrados em dois momentos críticos para o sistema de saúde carioca, nos dias 3 de junho e 2 de outubro, datas marcadas por recorde de mortes e de novos casos da doença.

Segundo o veículo de imprensa, no dia 2 de outubro, quando o Rio de Janeiro chegou ao pico de 3.180 novos casos em um intervalo de 24 horas, a ocupação dos leitos de UTI destinados ao tratamento de pacientes infectados pelo coronavírus era de 76,04%. E as enfermarias registravam índice de 54,6%. Já em 3 de outubro, quando a cidade alcançou o recorde de 277 mortes diárias, a taxa de ocupação das UTIs era de 87%. As enfermarias, por sua vez, registravam 55% de ocupação.

SITUAÇÃO ATUAL – Até ontem, 344 pessoas estavam na fila, aguardando internação na rede municipal da capital fluminense. Assistidas em leitos de unidades pré-hospitalares, 162 delas esperavam dar entrada em leitos de UTI.

À CNN, a presidente da Amib enfatizou que há menos leitos no sistema público de saúde do que no sistema privado. “Esse sistema público atende à grande maioria da população brasileira, principalmente no Norte, onde chega a atender 90% das pessoas”, afirmou.

Há duas semanas, a taxa de ocupação das UTIs municipais do Rio de Janeiro era de 79%, mas o índice deu um salto, no período de 16 a 21 de novembro, passando de 93%.

Suzana Lobo salientou ainda que a proporção de leitos não dá garantias de baixa ocupação. Segundo ela, destaca a CNN, alguns dos estados com mais de 80% de ocupação de UTIs estão entre os que têm as maiores proporções de leitos por 10 mil habitantes. A recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde é de que essa proporção esteja entre 1 e 3, sendo que índices abaixo de 1 indicam insuficiência nas estruturas hospitalares.

Conforme a Amib, dados do Cadastro Nacional dos Estabelecimentos de Saúde (CNAES), da Agência Nacional de Saúde (ANS) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que Pernambuco é o estado com a sétima maior quantidade de leitos por 10 mil habitantes.  E, atualmente, está co 87% de seus leitos de UTI ocupados.

Segundo a CNN, Espírito Santo (3,63), Mato Grosso do Sul (3,16), Paraná (2,59), Santa Catarina (2,53) e Rio Grande do Sul (2,32) estão entre as unidades federativas com mais de 80% de UTIs ocupadas e cumprem a proporção de leitos de UTI indicada pelas autoridades sanitárias.

PREPARAR PARA O PIOR – A presidente da Amib demonstrou apreensão ao falar sobre o novo aumento de casos, mortes e internações, especialmente no que diz respeito à situação dos profissionais de saúde. “Estamos muito preocupados, porque os profissionais de saúde acabaram de sair daquela primeira onda muito cansados, exaustos. Eles ainda precisam de recuperação e suporte emocional. Não houve tempo para isso e já têm que voltar para o front e enfrentar essa segunda onda”, lamentou.

Para a médica, segunda onda da pandemia não será mais amena do que a primeira. Ela destacou que, nos outros países, o que se verificou foi um segundo avanço do contágio muito mais intenso. “A segunda onda tem sido bastante forte e tem castigado bastante hospitais de países que têm, inclusive, um grande número de leitos”, comparou, advertindo que o Brasil “tem que se preparar para o pior”.



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