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  • Feira de Santana, segunda, 06 de julho de 2026

Valdomiro Silva

Bolsonaro enfrenta inimigos dentro da própria família

VALDOMIRO SILVA - 06 de Julho de 2026 | 21h 18
Bolsonaro enfrenta inimigos dentro da própria família
Imagem: Reprodução/Facebook e Geraldo Magela/Agência Senado

O ex-presidente Jair Bolsonaro, que já enfrenta problemas muito sérios com a Justiça, condenado e preso, por tentativa de golpe de Estado, arranjou mais uma encrenca recentemente. Ou melhor, arrumaram uma encrenca para ele, agora, de ordem familiar. A briga de sua mulher, Michele, com o filho dele, Flávio, o senador, que ele ungiu pré-candidato a presidente da República, é um problema e tanto, pra quem já está no fundo do poço.


Volto ao tema porque a imprensa divulga hoje um fato novo, dos bastidores: Bolsonaro não quis se meter na briga entre filho e esposa. Começo a análise dizendo que o ex-presidente está absolutamente correto. Não dá para se envolver em confusão pública de duas figuras tão próximas. Vai dizer o quê? Se defende Flávio, desagrada a mulher. E se faz algum pronunciamento em favor de Michele, vai ser mal visto pelo filho. Não é prudente ficar calado?


É roupa suja pra se lavar em casa, não dá pra levar a uma lavanderia. Bolsonaro, que normalmente vai muito mal na avaliação das coisas, com suas opiniões às vezes insensatas, às vezes toscas, tem uma postura razoável, nesse caso. O seu silêncio evita que o assunto tenha uma repercussão ainda pior.


Não posso deixar de acrescentar algo.  Filho e esposa travam uma briga pelo poder e fazem a vida do ex-presidente de tornar um inferno ainda mais ardente - se é que isto seja possível, a alguém que já se encontra em uma situação tão delicada. Michele e Flávio deveriam respeitar o quadro caótico em que vive Jair Bolsonaro, cumprindo prisão domiciliar, doente e com perspectivas sombrias, evitando lhe trazer transtornos. 


A liderança política na família não é, ou não deveria, ser exercida por Michele, nem por Flávio. Ambos são produtos da popularidade do ex-presidente. Portanto, se Jair optou pelo filho e não a esposa, para apresentar como seu candidato ao Palácio do Planalto, ela deveria, até pela natureza religiosa de sua personalidade, acompanhar o marido e ajudá-lo na empreitada. Bem, isto não significa que Michele deve curvar-se ao candidato. Mas será mesmo que ela se dispôs a colaborar? 


Nestes cenários, o caminho a seguir é muito simples: se não quer ou não pode ajudar o esposo, no projeto de tentar eleger o filho, que ao menos não atrapalhe. Flávio, por sua vez, jamais deveria, diante de uma eventual falta deste apoio, maltratar a esposa do seu pai, como reclamou Michele e deve ter ocorrido, de fato. Na verdade, maltratar, não se deve, qualquer que seja a alegação, homem ou mulher. Bolsonaro e a mulher sempre elevaram o conceito de família, defendendo a sua unidade. Pelo visto, porém, eles não fizeram grandes  esforços por isto.


A "humilhação" que teria sido cometida por Flávio, segundo a própria Michele: “Disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política”. Ao que tudo indica, Flávio e Michele travaram um embate de nível colegial, como se fossem estudantes do ginásio, em atrito por causa de algum trabalho escolar. 


Ao expor publicamente a contenda, gravando vídeo muito bem articulado, a ex-primeira-dama conduziu Flavio - o senador já se encontrava abalroado pelo escândalo dos milhões recebidos do Daniel Vorcaro supostamente como patrocínio do filme biográfico de Bolsonaro - a uma situação ainda mais crítica nas pesquisas. 


Antes de Flávio e de Michele tentarem arruinar seu projeto político, Bolsonaro já havia enfrentado problema com o outro filho, Eduardo, o "americano", que o xingou: "V.T.N.C. seu ingrato do caralho". Quem tem filhos e esposa que agem assim, não precisa de inimigos.

 

  



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