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Saúde

Comitê científico do NE fala em óbitos fora de controle se governos não endurecerem restrições

21 de Dezembro de 2020 | 13h 56
Comitê científico do NE fala em óbitos fora de controle se governos não endurecerem restrições
Praia da Boa Viagem, em Salvador. — Foto: Almir Santos/ TV Bahia

O comitê científico do Consórcio Nordeste divulgou uma recomendação para que os nove governadores da região retomem, com urgência, medidas restritivas para frear o avanço da pandemia de Covid-19, que já deixou mais de R$ 186 mil mortos em todo o país. O grupo sugere que as ações sejam adotadas para evitar a possível explosão de casos e mortes projetada para as semanas subsequentes aos festejos de fim de ano, como Natal e Réveillon.

Para os integrantes do comitê, caso as medidas não sejam implementadas, o número de infectados e de óbitos poderá voltar a crescer de forma exponencial e fora de controle em todos os estados nordestinos.

Entre as providências que devem ser tomadas, o consórcio destaca o fechamento de todas as praias, parques e outros espaços que possam gerar aglomerações. Também aponta a necessidade de estratégias que dificultem a importação do vírus, especialmente do continente europeu, onde países como Itália, Espanha, Suíça, além do Reino Unido, já notificaram uma nova cepa do novo coronavírus.

Segundo as autoridades, a variante é 70% mais transmissível do que a original.

Ao justificar as recomendações, os cientistas mencionam o período eleitoral, quando as regras de distanciamento sociais foram ignoradas em todo o país. O grupo aponta o evento político como fator preponderante para o espalhamento do que se tornaria a segunda onda da pandemia.

“Como é evidente que o período eleitoral foi uma das causas da retomada da pandemia, neste Boletim o Comitê Científico alerta o Consórcio NE sobre o risco iminente de que, se não forem implementadas medidas restritivas durante as festividades natalinas, o número de infectados e de óbitos pode voltar a crescer de forma exponencial e fora de controle na região NE”,  afirmam num boletim publicado na última sexta-feira (18).

No documento, os cientistas afirmam que os indicadores epidemiológicos estiveram em queda na maioria dos estados nordestinos até dia 11 de novembro, véspera do primeiro turno do pleito municipal.

Naquele mês, só Pernambuco apresentava tendência de alta. Agora, estados como Bahia, Paraíba e Piauí, por exemplo, registram aumento no número de óbitos, pressionando o sistema de saúde, com alta na taxa de ocupação de UTIs.

“Certamente, caso não tivesse ocorrido o período eleitoral, este decaimento teria continuado e muito provavelmente a situação seria hoje bem mais confortável, com tendência de redução do número de casos e óbitos. O período eleitoral foi crucial para a volta da pandemia, pois todas as normas preconizadas pela OMC e até mesmo por Secretarias Estaduais de Saúde foram violadas através da realização de eventos que promoveram grandes aglomerações de pessoas”, diz o boletim.

Para os cientistas, a volta às aulas presenciais, mesmo em menor escala, a abertura do comércio, shoppings, academias, bares contribuíram para a disseminação da pandemia ou mesmo para a segunda onda de infecções.

Os especialistas afirmam temer que os casos de possíveis reinfecções já confirmados no Brasil e no Nordeste tornem o cenário ainda mais grave.

Na avaliação do comitê, o afrouxamento das medidas de restrição e a abertura econômica “prematuros” permitiram que a região retornasse ao patamar semelhante ao do início da pandemia.

FONTE: Bahia.ba



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